sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Jesus também ensina você a ficar no azul e a ser investidor

Se vivesse hoje aqui, mesmo com as tentações do consumo, ele não seria mais um endividado


Investidor, ético, preocupado com o futuro e solidário. Jesus também é exemplo na vida financeira e para quem quer uma carreira de sucesso. Na verdade, ele é mais que isso. Cristo é um verdadeiro consultor. Conselhos que ele deu há quase dois mil são muito atuais para a administração do seu dinheiro e da sua carreira.

Se vivesse nesta época de descontrole nas finanças, Jesus iria se destacar por sua organização. Talvez ele tivesse cheque, cartão de crédito e carro como qualquer um de nós. A diferença é que todos os seus gastos seriam minimamente calculados.

Nada de compras a prazo. Mesmo sofrendo as mesmas "tentações do consumo" que qualquer mortal, Jesus só iria gastar o que tem. Segundo Paulo de Tarso, que é mestre em teologia e dono do site Finanças para a Vida (www.financasparaavida.com.br), Cristo não vê o dinheiro como algo ruim. É a forma de usá-lo que pode ser prejudicial.

"Jesus tinha algo especial. Ele era um verdadeiro líder. Se fosse empresário, por exemplo, teria incentivado seus discípulos a formarem empresas. Sua visão de gestão era muito apurada. Ele nos ensina a ter integridade nas finanças, a não se expor a riscos e a multiplicar o que ganhamos", afirma.

O casal Arnaldo e Débora de Souza, líderes do programa Crown (curso de finanças baseado nos ensinamentos bíblicos) acredita que Jesus tinha um espírito investidor. "Em suas falas na Bíblia, Cristo deixa claro que está ao lado de quem faz aplicações e é contra as atitudes das pessoas que se endividam, pagam juros e fazem gastos desenfreados", explica Arnaldo.

Para o filho de Deus, o dinheiro tem um grande valor: ser usado para ajudar as pessoas. "Ser rico não é problema. O dinheiro só não pode virar o senhor da vida de ninguém. Ao gastar ou ao poupar, ter um objetivo é importante. As famílias precisam estar unidas na vida financeira. O lema de um casal, por exemplo, deve ser uma só carne e um só orçamento", diz Débora.

Ele usa a Bíblia como manual financeiro
A vida de Thiago Silva Boy mudou completamente quando ele passou a usar os ensinamentos de Jesus para organizar suas finanças. Tudo começou há um ano, ao entrar para a Igreja Batista. No local, ele fez o curso de administração pessoal e aprendeu a usar a Bíblia como um manual financeiro. "Antes eu tinha dívidas no cartão de crédito, no cheque especial e até empréstimos. Não entendia nada sobre finanças. Depois de fazer um curso na igreja percebi que Deus nos ensina várias formas de lidar com o dinheiro. Então, depois dessa lição, eu resolvi mudar. Quitei todas as minhas dívidas e hoje sobra dinheiro para fazer aplicações. Passei a entender que Deus é proprietário da minha vida e que gastos são decisões espirituais. Jesus mudou a minha vida até da minha família. Meus pais também agora utilizam os mesmos ensinamentos para organizar as finanças da casa."

Cristo: um  sucesso de empreendedor
Empreendedorismo é algo que Jesus tinha de sobra. O seu negócio era divino, mas para que tivesse sucesso, Cristo encontrou alternativas para a expansão da sua visão. E qualquer profissional hoje pode tirar da vida de Jesus várias lições práticas para crescer no mercado, sendo patrão ou empregado.

Tanto na sua tarefa espiritual como na pele de um simples humano, a lição que Jesus dá é de um empreendedor humilde, no entanto bastante focado na sua missão. E, apesar de sua liderança nata, seu maior objetivo era formar novos líderes.

"Ele tem grande influencia na gestão por ser motivado e perseverante. Jesus também era muito ético. Valores e crenças são essenciais para uma organização", afirma o administrador Giovani Borgo Sardi.

Para o empresário Arnaldo de Souza, outra lição que Jesus ensina é compromisso. "Hoje, o setor empresarial afirma que é preciso burlar a tributação para sobreviver. Mas Jesus condena isso. Sonegar é roubar", diz.

Lições para o equilíbrio estar na sua vida
Jesus trabalhador. A Bíblia diz que Jesus era carpinteiro antes de assumir sua missão divina. No entanto, ele via o trabalho como uma dádiva. O salário, para ele, era uma recompensa. Não era um profissional medíocre. Se fosse funcionário de uma empresa, por exemplo, ele estaria sempre disposto a crescer. Textos para te motivar: João 5.17, Colossenses 3.23-24, Mateus 20.6. Das 50 parábolas na Bíblia, 40 falam sobre o ambiente de trabalho.

Jesus: o planejador e o investidor. Jesus tinha preocupação com as finanças. Na Bíblia, existem 2.350 versículos que dão lição financeira. Ele ensina as pessoas a planejarem seus gastos, incentiva as pessoas a pouparem, a investirem o seu dinheiro, como na Parábola dos Talentos (Mateus 25.14-28). A história serve para mostrar que as pessoas que não poupam correm risco de perderem o pouco que tem. Leia também: Romanos 13.8, Thiago 4.13-15, Provérbios 3.27-28.

Jesus Empreendedor de sucesso. Jesus era totalmente a favor dos negócios e do lucro. Para ele,
a atuação empresarial existe para dignificar o homem e seus semelhantes. Ele era um grande empreendedor. Seu negócio era investir em vidas. Aprenda com ele a fazer uma administração de sucesso: João 15:1-2, 2 Coríntios 12:9, Filipenses 4:13, Mateus 7.7-28.

Jesus e as riquezas. Para ele, a riqueza faz mal quando a pessoa ama mais o dinheiro do que a vida e as pessoas. Mateus 6.19-24.

Jesus e os impostos. O homem pode até considerar a cobrança de impostos abusivas, mas Jesus aconselha a pessoa a pagar tudo que é cobrado. Para Jesus, quem não paga impostos, tanto o consumidor quanto um empresário, está cometendo roubo. Mateus 17.24-27 e Mateus 22.15-22.

Economia solidária
Análise
Giovani Borgo Sardi Administrador, professor do curso de Administração da Faesa e católico

Com Jesus podemos aprender que gerar riqueza é essencial para o sustento da população. Ele nos incentiva a guardar dinheiro, a poupar e a investir com o objetivo: de ajudar alguém. É claro que também podemos atender aos nossos desejos, mas o importante é ter uma meta de vida. No caso das empresas, a preocupação deve ser o cuidado com a natureza e com o bem-estar da comunidade. E na Bíblia é possível encontrar ensinamentos que nos levam a uma economia solidária, pensando no planeta. Os princípios de Jesus nos ensinam disciplina na vida pessoal e na empresarial. Independente da fé, dá para tirar boas lições de vida.



Mikaella Campos
A Gazeta

domingo, 12 de dezembro de 2010

Moisés? O Mar Vermelho pode ter sido dividido pelo vento

A famosa passagem da Bíblia onde Moisés divide o Mar Vermelho pode ter sido real, segundo simulações feitas em computadores.

A história do Livro do Êxodo diz que os judeus estavam fugindo do Egito, liderados por Moisés, e com o exército do Faraó em seu encalço. Moisés ergue seu cajado e divide o Mar Vermelho, para que os judeus pudessem passar pelo meio das águas. Quando o exército do faraó tenta perseguí-los, a água do mar cai sobre os soldados, fazendo com que os judeus ficassem a salvo.

Agora simulações feitas por cientistas americanos mostram que uma espécie de ponte poderia ter sido aberta em um determinado local do Mar Vermelho, ajudando os judeus a atravessarem as águas em segurança.

As pesquisas mostram que um vento leste forte poderia ter empurrado a água para um local onde um rio desaguava em uma lagoa. Com a água sendo empurrada para dois lados (para o natural e pelo vento leste) uma ponte seria aberta e pessoas poderiam atravessar em segurança.

Assim que o vento parasse, a água voltaria ao seu lugar original.

Segundo um dos pesquisadores responsáveis pelo estudo, Carl Drews, do Centro Nacional de Pesquisa Atmosférica dos EUA, a simulação bate com a situação apresentada pelo Livro do Êxodo – desde que um vento leste forte tenha soprado durante algum tempo.

Outros cientistas já tentaram explicar esse milagre de Moisés. Outra
hipótese levantada é de que um tsunami tenha feito as águas se retraírem e voltarem rapidamente, mas nada foi comprovado. [BBC]

Pessoas religiosas são mais felizes – entenda porque

Já faz um tempo que os cientistas sabem que as pessoas religiosas são mais satisfeitas com suas vidas do que os não crentes. Agora, um novo estudo descobriu que não é o relacionamento com Deus que traz essa satisfação, mas sim os laços mais estreitos com as pessoas.

Segundo os pesquisadores, a satisfação com a vida é quase inteiramente sobre o aspecto social da religião, ao invés do aspecto espiritual e teológico. As pessoas estão mais satisfeitas com suas vidas quando vão à igreja porque constroem uma rede social dentro de sua congregação.

Os resultados se aplicam aos católicos, protestantes e evangélicos. O número de judeus, mórmons, muçulmanos e pessoas de outras religiões entrevistadas foi pequeno demais para se tirar conclusões sobre essas populações.

Os estudos anteriores que descobriram uma ligação entre religião e satisfação com a vida não responderam a seguinte questão: a religião torna as pessoas felizes, ou pessoas felizes se tornam religiosas? E se a religião é a causa da satisfação com a vida, o que é responsável: a espiritualidade, as relações sociais, ou algum outro aspecto da religião?

Os pesquisadores abordaram essas duas questões no estudo recente. Em 2006, eles contataram uma amostra nacionalmente representativa de 3.108 adultos americanos por telefone, e pediram que eles respondessem perguntas sobre suas atividades religiosas, convicções e redes sociais. Em 2007, eles ligaram para o mesmo grupo e 1.915 deles responderam as mesmas perguntas novamente.

As pesquisas mostraram que, em todos os credos, as pessoas religiosas são mais satisfeitas do que as pessoas não-religiosas. Segundo os dados, cerca de 28% das pessoas que participam de cultos religiosos semanais estavam extremamente satisfeitas com as suas vidas, em comparação com 19,6% das pessoas que nunca frequentaram cultos.

Mas a satisfação não foi atribuída a fatores como a oração individual, a força da crença, ou sentimentos subjetivos de amor a Deus ou a sua presença. Em vez disso, a satisfação foi vinculada ao número de amigos que as pessoas tinham em sua congregação religiosa. Pessoas com mais de 10 amigos em sua congregação estavam quase duas vezes mais satisfeitas com a vida do que pessoas sem amigos em sua congregação.

O estudo sugere um nexo de causalidade entre a religião e a satisfação com a vida: pessoas que tinham começado a ir à igreja com mais frequência entre 2006 e 2007 tornaram-se mais felizes. Novamente, a felicidade era explicada totalmente por um aumento nas amizades feitas durante os cultos.

A conclusão dos pesquisadores é que o fato de encontrar um grupo de amigos íntimos em uma base regular, e participar de certas atividades que são significativas para todos, faz com que esse grupo partilhe certa identidade social, um sentimento de pertencer a uma comunidade de fé moral. Esse sentimento parece ser a chave para a relação entre ir à igreja e estar satisfeito com a sua vida.

Embora um maior número de amizades também tenha sido associado à satisfação com a vida, as amizades de igreja pareciam dar ainda mais satisfação. Uma pesquisa adicional também descobriu que a propensão religiosa para a caridade e o voluntariado se conecta com as amizades do meio religioso.

Teoricamente, estar em um grupo de amigos que não tenha a ver com a igreja, mas que se conheça há muito tempo e que se engaje em atividades significativas, compartilhando uma identidade social, também pode aumentar a satisfação com a vida. E na prática? Para responder a essa pergunta, os pesquisadores planejam realizar uma terceira rodada de pesquisas com o mesmo grupo de participantes em 2011, para recolher dados sobre esse tipo de amizade.[LiveScience]

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Aparição da Virgem Maria em 1859

O local é um destino popular para orações desde que a aparição foi registrada

O bispo da diocese católica de Green Bay, cidade no Estado de Wisconsin, disse que a Virgem Maria apareceu a uma freira, de origem belga em 1859. O bispo David Ricken anunciou sua descoberta ontem em uma missa no Santuário de Nossa Senhora da Ajuda em Champion. O local é um destino popular para orações desde que a aparição foi registrada pela irmã Adele Brise. A diocese disse que a declaração de Ricken dá ao santuário o mesmo status que outros locais conhecidos, como Lourdes, na França, Guadalupe, no México, e Fátima, em Portugal.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Os 10 Santos Católicos mais populares do Brasil. Divergência com evangélicos


TODO SANTO AJUDA (?)
Alguns campeões de venda de imagem não entraram no ranking. São Jorge é usado na umbanda, por representar Ogum, e são Judas e santo Expeditoauxiliam nas causas impossíveis

O ranking foi baseado em critérios numéricos, mas santos muito festejados, como são Pedro e Nossa Senhora Aparecida, ganharam bônus!

10- SANT’ANA
FUNÇÃO Protetora dos avós
DIA 26 de julho
A avó de Jesus era estéril. Ela só concebeu Maria depois que seu marido, Joaquim, foi ao deserto fazer penitência e pedir a Deus que lhes desse um bebê. Sua imagem a retrata de pé, ao lado de Maria criança com um livro na mão. Além de ajudar outras mulheres estéreis, é protetora das famílias, donas de casa, professoras e costureiras
IGREJAS: 200
IMAGENS VENDIDAS: 207
CIDADES APADRINHADAS: 42

9- NOSSA SENHORA DAS GRAÇAS
FUNÇÃO Santa das bênçãos
DIA 27 de novembro
Também conhecida como Nossa Senhora da Medalha Milagrosa, a santa teria sido vista por uma noviça na França, em 1830. A religiosa recebeu então a missão de cunhar medalhinhas, que trariam graças a quem as usasse. Nos primeiros 50 anos, mais de 1 bilhão das jóias foram distribuídas
IGREJAS: 200
IMAGENS VENDIDAS: 800
CIDADES APADRINHADAS: 8

8- NOSSA SENHORA DE FÁTIMA
DIA 13 de maio
É uma das aparições mais famosas de Maria. Em 1917, ela apareceu a três pastorinhos em Fátima, Portugal, a quem fez três revelações. A primeira era a imagem do inferno; a segunda previa o início da 2a Guerra Mundial; e a terceira (revelada em maio de 2000) referia-se ao atentado sofrido pelo papa João Paulo II (em 13 de maio de 1981) e à perseguição comunista contra o catolicismo
IGREJAS: 300
IMAGENS VENDIDAS: 850
CIDADES APADRINHADAS: 19

7- SÃO PEDRO
FUNÇÃO Protetor das viúvas e dos pescadores
DIA 29 de junho
Foi o apóstolo responsável por dar continuidade à Igreja Romana, sendo o primeiro papa - por isso a basílica do Vaticano leva o seu nome. São Pedro seria o guardião das chaves do paraíso e, na crença popular, ele é quem faz chover, quando está lavando o céu. Seu dia encerra as comemorações da festa junina
IGREJAS: 260
IMAGENS VENDIDAS: 227
CIDADES APADRINHADAS: 24

6- SÃO JOÃO
FUNÇÃO Padroeiro da amizade
DIA 24 de junho
João era filho de Isabel, prima de Maria, a mãe de Jesus. Como Isabel já era idosa quando engravidou, Maria quis ajudar no parto e pediu à prima que acendesse uma fogueira quando chegasse a hora, dando origem às fogueiras nas festas juninas. João seria precursor de Cristo, anunciando a chegada do messias. Foi ele quem batizou Jesus no rio Jordão
IGREJAS: 370
IMAGENS VENDIDAS: 150
CIDADES APADRINHADAS: 45

5- SÃO JOSÉ
FUNÇÃO Padroeiro dos trabalhadores
DIA 19 de março
Descendente do rei Davi, José era um humilde carpinteiro que, mesmo não sendo pai biológico de Jesus, o teria criado como se fosse seu. A devoção aosanto chegou ao Brasil com os jesuítas e se intensificou com os imigrantes italianos, que têm o costume de produzir um doce, chamado zeppole, em sua homenagem
IGREJAS: 500
IMAGENS VENDIDAS: 300
CIDADES APADRINHADAS: 52

4- SÃO SEBASTIÃO
FUNÇÃO Padroeiro dos alfaiates
DIA 20 de janeiro
Sebastião foi um soldado romano benfeitor dos cristãos. Por isso, foi condenado à morte por flechadas, mas sobreviveu. Recuperado, ele enfrenta o imperador, é capturado e chicoteado até a morte. Além de ganhar a simpatia da comunidade gay, vende muitas imagens por representar, na umbanda, o orixá Oxóss
IGREJAS: 450
IMAGENS VENDIDAS: 680
CIDADES APADRINHADAS: 62

3- NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO
FUNÇÃO Padroeira de Portugal
DIA 8 de dezembro
Por ter sido concebida sem pecado (mácula), Maria ganhou o título de Imaculada Conceição. A festa em sua homenagem foi definida pela Igreja em 1854, pelo papa Pio IX. A santa foi uma das primeiras imagens a chegar ao Brasil e foi considerada, por algum tempo, a padroeira do país
IGREJAS: 600
IMAGENS VENDIDAS: 600
CIDADES APADRINHADAS: 61

2- SANTO ANTÔNIO DE PÁDUA
FUNÇÃO Padroeiro dos pobres
DIA 13 junho
De família rica, entrou para um convento de Lisboa e, depois, para uma ordem franciscana. Foi enviado para o Marrocos, onde ficou muito doente. Na volta à Europa, seu navio naufraga e Antônio é levado para Sicília, na Itália. Lá ele ganha fama de casamenteiro por ajudar moças pobres a pagar os dotes, obrigatórios para o matrimônio
IGREJAS: 550
IMAGENS VENDIDAS: 2000
CIDADES APADRINHADAS: 84

1- NOSSA SENHORA APARECIDA
DIA 12 de outubro
Maria é representada e nomeada de diferentes formas nos locais onde teria aparecido. São mais de 2 mil denominações aceitas pela Igreja. Nossa Senhora Aparecida é a mais popular no Brasil – onde é padroeira desde 1929. Sua imagem foi encontrada no rio Paraíba em 1717. O local virou foco de peregrinação e hoje abriga uma basílica, que recebe mais de 10 milhões de pessoas por ano. Já a Nossa Senhora de Nazaré, famosa em Belém do Pará, reúne cerca de 1 milhão de fieis na romaria do Círio de Nazaré
IGREJAS: 460
IMAGENS VENDIDAS: 2500
CIDADES APADRINHADAS: 15


* Número anual cedido pela fabricante Imagens Bahia
** Número aproximado

FONTES Centro de Estatísticas Religiosas e Investigações Sociais (Ceris); O Livro dos Santos – A História e as Orações dos 100 Santos Mais Populares doBrasil, de Carolina Chagas (Publifolha); cônego Antônio Aparecido Pereira, porta-voz da Arquidiocese de São Paulo



Católicos em guerra contra Ana Paula Valadão


Em um evento na Bahia, a cantora evangélica Ana Paula Valadão, do Ministério Diante do Trono, falou sobre a queda da Igreja Católica no Brasil. ela: “aonde a idolatria chegou, aonde os cultos aos deuses chegaram, aonde entrou toda influência da mariolatria em nosso Brasil, desde as primeiras missas efetuadas em solo brasileiro, aonde entram os primeiros escravos da África, trazendo seus deuses, trazendo o culto aos deuses falsos africanos … o Senhor fará soar novos tambores nessa Nação”.
Enquanto os tambores tocavam ela dizia: “Diz a Palavra (de Deus) que ao som dos tambores Deus destruirá o rei da Síria”. “É a ruína dos falsos deuses, é a ruína do povo idólatra”.
Em um dado momento ela disse:
“Eu profetizo, no nome do Senhor Jesus, a queda de escamas da idolatria nos olhos de homens, mulheres jovens velhos. A Igreja Católica Apostólica Romana no Brasil será invadida por uma onda de conversão, libertação e avivamento e quebrará toda a corrente de gerações. Haverá entre os padres, entre os seminaristas o espírito de ousadia para tomarem posição diante do Senhor Jesus e publicamente confessarão que só Ele é digno de toda a oração e adoração, culto, honra e glória”.
Por alguns minutos o estádio inteiro começa a gritar “Jesus, Jesus, Jesus”.
Tal declaração despertou a indignação de católicos em várias partes do Brasil, os quais estão se manifestando por meio da internet.
No microblog twitter, alguém escreveu:
“Deus me mostra Ana Paula Valadão de joelho em frente ao Santo Sacrário de uma Igreja Católica de BH (Belo Horizonte) e depois pregando na Canção Nova (emissora de TV da Igreja Católica).
Uma outra pessoa assim comentou em um blog católico:
“Salve Maria Imaculada!
Sirva de exemplo aos carismático para que jamais ousem a trazer em seus lábios qualquer canção protestante, a começar pelo barulho que se chamam de “músicas” dessa seita da Lagoinha, cujo líder é o lobo Saul Valadão, onde sua filha Ana Paula Valadão lidera um chamado “ministério” que profetiza blasfemias. Essa mulher arrasta multidões com suas músicas protestantóides e se aproxima de uma tal loucura, que é necessário estômago para conseguir ouvir uma porcaria dessa. Que a Santíssima Virgem esmague a cabeça de satanás, e justiça divina coloque nossos inimigos de joelhos para que se humilhem diante da grandeza de Deus e do esplendor da verdade católica”.
Oremos por Ana Paula Valadão e toda sua família, para que a mão poderosa no Nosso Deus continue estendida sobre eles. (Fonte: Portal Padom)

(...)

Imagens de escultura e figuras não são as únicas formas de idolatria (Cl 3.5), mas são uma forma muito comum e visível. Deus proibiu o uso de imagens de escultura e figuras para o culto:

"Então, o Senhor vos falou do meio do fogo; a voz das palavras ouvistes; porém, além da voz, não vistes aparência nenhuma… Guardai, pois, cuidadosamente, a vossa alma, pois aparência nenhuma vistes no dia em que o Senhor, vosso Deus, vos falou em Horebe, no meio do fogo; para que não vos corrompais e vos façais alguma imagem esculpida na forma de ídolo, semelhança de homem ou de mulher…" (Dt 4.12-18).

Porém, nosso coração, idólatra por natureza, rejeita a Palavra de Deus e busca imagens. A idolatria é a característica mais peculiar às religiões e povos que não não norteados pela Bíblia. Contudo, este é um perigo constante, até memo, para aqueles que são orientados pela Bíblia.

A Igreja Primitiva entendeu e obedeceu esta proibição, e não nos legou nenhuma descrição física de Jesus, muito menos uma imagem física. Mas, os apóstolos nos deixaram uma perfeita apresentação da Pessoa, Obra (especialmente a Obra Redentiva) e Ensino de Jesus, em Palavra Escrita.

Jesus ordenou a Santa Ceia, constituída dos elementos pão e vinho, significando seu sacrifício remidor; que juntamente com o Batismo são as únicas representações visíveis da Palavra, ordenadas para o culto. Observe-se também, que ambos substituem sacramentos com derramamento de sangue, do Antigo Testamento (Páscoa e Circuncisão). Mas, quando a Igreja se apostatou (abandonou a Palavra de Deus) adotou o Crucifixo – imagem da carne ensanguentada de Jesus. Entretanto, a Igreja foi ordenada a falar (pregar) do derramento do sangue de Cristo Jesus, para a salvação de pecadores; e até a mostrar isto no Batismo e Santa Ceia; porém nunca, em um Crucifixo.

Reconhecemos que há na Bíblia histórias extraordinárias para o Teatro e o Cinema; mas, isto não é da competência da Igreja. Compete à igreja anunciar o Evangelho em palavras (de modo escrito ou falado), e não por imagens. Assim, ela não cairá jamais em contradição com o Segundo Mandamento: "Não farás para ti imagens de escultura,…" (Dt 5.8-10).

O Crucifixo, uma imagem ilustrativa do sacrifício de Cristo, se transformou em um objeto de adoração. O Crucifixo "deu certo", ele é "um sucesso" é uma das mais importantes características e atrativos do culto católico romano. Não obstante, é uma abominação perante Deus. A hóstia "transubstanciou-se" e também tornou-se em objeto de adoração.

Existem formas grosseiras de idolatria, mas existem também formas sutís; e destas, é muito difícil alguém ser convencido. Geralmente, os cristãos que usam imagens de escultura não admitem que estejam praticando idolatria. A idolatria não se manifesta imediatamente de forma constante e generalizada. Ela tem um começo imperceptível que se repete e espalha.

A idolatria é tão severamente condenada porque ela produz a sensação de um contato direto com a divindade, ela satisfaz imediata e enganosamente. Assim, ela mantem as pessoas longe da Palavra de Deus. Distante da Palavra de Deus, o homem não pode conhecer a Deus. Ele só é capaz de conceber um ídolo em seu coração, construído pela revelação natural distorcida pelo pecado.

Para quantos católicos e protestantes o filme "A Paixão de Cristo" não tem se tornado uma forma de idolátrica de culto? Creio que todos aqueles que alimentam a expectativa e dizem estar recebendo através do filme as graças prometidas no Evangelho, e também aqueles que, assistindo o filme, estão confundindo emoções com operações do Espírito Santo, deveriam refletir seriamente sobre esta situação. Entre a idolatria grosseira e o culto verdadeiro existe uma delicada intersecção, e os que nela estão não conseguem perceber.

Se recusamos os Meios de Graça, ou se eles nos são recusados, tendemos a substituí-los por alguma coisa que, ou não nos satisfará plena e verdadeiramente, ou nos destruirá (como é o caso da idolatria). Para quantas pessoas o filme de Gibson não estará funcionando como um substituto ao Meio de Graça? Para muitos ele poderá exercer o efeito de um Crucifixo, um Super Crucifixo animado.

A presente geração de cristãos, inclusive de evangélicos, conhece a Jesus Cristo menos do que deveria; porque muitos não têm recebido a sólida, sistemática e expositiva Pregação das Escrituras. Onde faltam as "palavras de vida eterna" , as pessoas se tornam ávidas por imagens e se tornam presas fáceis da idolatria.

O Filme "A Paixão de Cristo" é um meio de expressão entre Mel Gibson, juntamente com seus atores, e os que assistem ao filme; e nunca passará disto. Portanto, ninguém deveria esperar do filme que ele seja um meio de comunicação entre Deus e o homem. Isto pode ser um passo rumo à idolatria. Mas, a Palavra de Deus lida e pregada, os sacramentos ordenados por Deus em Sua Palavra, e a oração, que é nossa obediente resposta à Palavra de Deus; estes sim, são os meios da graça salvadora.

Contudo, enquanto a Palavra lida e pregada estiver em baixa na Igreja, a fiel administração dos sacramentos e a pura oração (porque existe a oração impura como a oração vaidosa, egocêntrica, futil etc.), também estarão em baixa. Neste contexto a Igreja continuará buscando e promovendo meios diversos para suprir a sua necessidade de animação. E, de vez em quando, necessitará até, aproveitar uma "ajudinha" de Hollywood.

Jorge Barros (leia o texto completo no link: http://www.igrejareformada.ca/biblioteca/paixaodecristo.html (Cristãos e o Filme "A Paixão de Cristo")




sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

MPF entra com ação para que programa 'Brasil Urgente' se retrate de declarações preconceituosas contra ateus

SÃO PAULO - O Ministério Público Federal ingressou com ação civil pública para que o programa Brasil Urgente, da Rede Bandeirantes de Televisão, se retrate de declarações consideradas preconceituosas contra ateus. Segundo o MPF, no dia 27 de julho, por 50 minutos, o apresentador José Luiz Datena e o repórter Márcio Campos, durante reportagem sobre um crime, fizeram comentários preconceituosos sobre pessoas ateias.

Segundo o MPF, o apresentador e o repórter relacionaram os crimes a pessoas que não acreditam em Deus. "TV aberta é concessão pública e não pode ser usada para disseminar preconceito", diz o MPF.

O Ministério Público Federal apresentou pedido de liminar para que o programa seja obrigado a exibir quadro com retratação das declarações ofensivas às pessoas ateias e esclarecimentos à população sobre diversidade religiosa e da liberdade de consciência e de crença no Brasil. O MPF quer que o quadro tenha o dobro do tempo usado para exibição das mensagens ofensivas.

Na ação, o MPF relaciona as declarações:

"Esse é o garoto que foi fuzilado. Então, Márcio Campos (repórter), é inadmissível, você também que é muito católico, não é possível, isso é ausência de Deus, porque nada justifica um crime como esse, não Márcio?"

(Márcio) "É, a ausência de Deus causa o quê Datena? O individualismo, o egoísmo, a ganância... claro!

(Datena diz), tudo isso."

"Só pode ser coisa de gente que não tem Deus no coração, de gente que é aliada do capeta, só pode ser ser."

"Esses crimes só podem ter uma explicação: ausência de Deus no coração."

"Eu fiz a pergunta: você acredita em Deus? E tem 325 pessoas que não acreditam. Vocês que não acreditam, se quiserem assistir outro canal, não tem problema nenhum, não faço questão nenhuma que ateu assista meu programa, nenhuma...não precisa nem votar, de ateu não preciso no meu programa."

"... quem não acredita em Deus não precisa me assistir não gente, quem é ateu não precisa me assistir não. Mas, se eu fizer uma pesquisa aqui, se você acredita em Deus ou não, é capaz de aparecer gente que não acredita em Deus. Porque não é possível, cada caso que eu vejo aqui, é gente que não tem limite, é gente que já esqueceu que Deus existe, que Deus fez o mundo e coordena o mundo, é gente que acredita no inferno..."

"...porque o sujeito que é ateu, na minha modesta opinião, não tem limites, é por isso que a gente vê esses crimes aí."

"Agora, vocês que estão ao lado de Deus, como eu, podiam dar uma lavada nesses caras que não acreditam em Deus, ... para provar que o bem ainda é maioria....porque não é possível, que não acredita em Deus não tem limite. Ah Datena, mas tem pessoas que não acreditam em Deus e são sérias. Até tem, até tem, mas, eu costumo dizer que quem não acredita em Deus, não costuma respeitar os limites, porque se acham o próprio Deus."

"...deixa direto essa pesquisa aí, que eu quero ver como as pessoas que são crentes, que são tementes a Deus, são muito maiores do que não temem a Deus. Mas quero mostrar também que tem gente que não acredita em Deus. É por isso que o mundo está essa porcaria. Guerra, peste, fome e tudo mais, entendeu? São os caras do mau. Se bem que tem ateu que não é do mau, mas, é ..., o sujeito que não respeita os limites de Deus, é porque não sei , não respeita limite nenhum.

"Esse é um exemplo típico de quem não acredita em Deus. Matou o menino de dois anos de idade, tentou fuzilar três ou quatro pessoas. Mas matou com a maior tranqüilidade, quer dizer, não é um sujeito temente a Deus."

"... é provável que entre esses ateus (referindo-se ao resultado da pesquisa) exista gente boa que não acredita em Deus, que não é capaz de matar alguém, mas é provável que tenham bandidos votando até de dentro da cadeia."

" ... mesmo com tanta notícia de violência, com tanta notícia ruim, o brasileiro prova de uma forma definitiva, clara, que tem Deus no coração. Quem não tem, é quem comete esse tipo de crime, quem mata e enterra pessoas vivas, quem mata criancinha, quem estupra e violenta, quem bate em nossas mulheres."

" muitos bandidos devem estar votando do outro lado." (referindo-se aos votos dos ateus na pesquisa)

" ... porque eu vejo tanta barbaridade há tanto tempo, que eu acredito que a maior parte do produto dessa barbaridade, seja realmente a ausência de Deus no coração... mas tem gente que me ligou e disse assim: Datena, eu não acredito em Deus, nunca matei, nunca roubei, nunca fiz mal para ninguém. Tudo bem, eu até respeito essa posição, mas a maioria de quem mata, de quem estupra, de quem violenta, de quem comete crimes bárbaros, já esqueceu de Deus há muito tempo...."

" e isso que eu estou dizendo para o cara que não acredita em Deus que nunca matou, nunca roubou, nunca fez mal a ninguém, porque a maioria que faz isso que eu falei, realmente não acredita em Deus, tá pouco se lixando."

" a fronteira está indo cada vez mais distante. As pessoas não respeitam mais nada, os marginais, os bandidos, aqueles que não temem a Deus, estão cada vez mais ultrapassando essas fronteiras."

Leia a íntegra da ação em que Ministério Público Federal pede a retratação do programa Brasil Urgente
Autor da ação, o procurador Regional dos Direitos do Cidadão Jefferson Aparecido Dias, afirma que o apresentador emitiu declarações preconceituosas contra pessoas que não compartilham seu modo de pensar e a emissora "descumpriu a finalidade educativa e informativa, com respeito aos valores éticos e sociais da pessoa, prestou um desserviço para a comunicação social, uma vez que encoraja a atuação de grupos radicais de perseguição de minorias, podendo, inclusive, aumentar a intolerância e a violência contra os ateus".

"O apresentador e o repórter ironizaram, inferiorizaram, imputaram crimes, 'responsabilizaram' os ateus por todas as 'desgraças do mundo'", diz o procurador em nota. Ele considera que foi desrespeitada a proteção constitucional à liberdade de consciência e crença.

O Globo

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

'Alguns choravam', diz pastor que negociou rendição de traficantes ..

Evangélico que acompanhou líder do AfroReggae no Complexo do Alemão defende anistia como forma de resolver confrontos no Rio

Na véspera da invasão da polícia ao Complexo do Alemão, um grupo de cinco pessoas da ONG AfroReggae decidiu subir o conjunto de 14 favelas na Penha, zona norte do Rio de Janeiro, e tentar convencer os traficantes a se entregarem. Liderados pelo diretor-executivo da organização, José Junior, eles argumentaram que a polícia venceria um possível confronto e que inocentes seriam as maiores vítimas. Ao lado de Junior estava um dos coordenadores da área social da entidade, Rogério Menezes, respeitado por traficantes, viciados e detentos do sistema penitenciário do Estado.

Foto: Robson Fernandjes /Agência Estado

José Junior e o pastor Rogério Menezes (de azul) a caminho da favela da Grota, no Complexo do Alemão

Evangelizador da Assembleia de Deus, Rogério é chamado de pastor. Em meio à negociação com os criminosos, no sábado (27), José Junior recorria ao Twitter para mandar informações em tempo real. "Pastor Rogério é o cara que mais salvou vidas que eu conheço. Muitas, inclusive, na Vila Cruzeiro e no Complexo do Alemão. Homem de Deus", escreveu o líder do AfroReggae na ocasião.

Ex-viciado, pastor Rogério admite que já traficou drogas, pegou em armas e cometeu crimes. Foi preso. Sobreviveu a duas overdoses de cocaína, até receber um "sinal" e "ser salvo por Jesus”. Hoje, ele diz que sua vida pregressa o permite compreender o que passa pela cabeça de criminosos e apresentar argumentos para tirar muitos da marginalidade. “Já salvei uns 300 que estavam amarrados para morrer”, garante.

Sobre a ação de retomada do Complexo do Alemão pelo Estado, o pastor diz acreditar “que a intenção foi uma das melhores”. Segundo ele, “o governador tem feito um trabalho muito bom”. Contudo, o religioso defende que somente uma anistia aos traficantes será capaz de pôr fim à ameaça de guerra no Rio. “Proponho que essa decisão seja avaliada pelo governo, pelos parlamentares e pela Justiça.”


Pergunta: Às vésperas da polícia invadir a favela, no sábado (27), o senhor e o José Junior entraram no Complexo do Alemão para conversar com os traficantes. Na sua avaliação, esse gesto ajudou a evitar derramamento de sangue?

Rogério Menezes: Sim. Eu e o José Junior estávamos todo o tempo juntos. Ele virava para mim e falava “pô, Rogério, o que a gente pode fazer para ajudar?”. Eu respondia: “Junior, eu sei que é perigoso e arriscado, mas imagina se a polícia entrar? Vai morrer muita gente. Temos de ir lá”. Expliquei que o máximo que poderia acontecer era a gente ser tomado como refém. Falei: “Deus está nos mandando ir”.

O que o senhor pensava naquele momento?

Rogério Menezes: Se houvesse confronto, eles iriam enfrentar, como foi noticiado, 2.600 policiais civis, militares, homens do Exército e da Marinha. Sem contar os inocentes, os jornalistas. Imagina o derramamento de sangue que poderia existir... Eu só pensava nisso.

Como vocês chegaram até os traficantes?

Rogério Menezes: Entramos na favela e perguntamos onde eles estavam. Nos orientaram a chegar até a parte mais alta. Encontramos um grupo de cerca de 60 homens, os mais perigosos. Conversamos olho no olho.

E como foi a conversa?

Rogério Menezes: Eles vieram até a gente. Estavam cansados, sem forças até para falar. Nós argumentamos que não dava para eles encararem. E muitos diziam “pastor, me ajuda. Pelo amor de Deus. O que o senhor pode fazer por mim?” O José Junior respondeu que não havia nada que a gente pudesse fazer e que o melhor seria se renderem à polícia; que a única garantia que a gente podia dar era a de que ninguém seria assassinado se aceitasse a rendição.

E eles estavam inclinados a aceitar a proposta?

Rogério Menezes: Um dos chefões virou para mim e falou: “Pastor, o senhor me conhece. Sabe que a minha vida todinha eu tirei dentro da cadeia. O senhor quer que eu volte?” Respondi: “Rapaz, é melhor você se entregar do que ser morto. Você tem uma vida, tem família. Pensa muito bem no que você vai fazer.”

E qual foi a reação?

Rogério Menezes: Muitos deles estavam desesperados, amedrontados. Alguns tremiam, estavam com os olhos arregalados. Outros olhavam para a gente como se fôssemos uma saída, um porto seguro. E a gente foi tentando acalmá-los. Mas eles diziam que era complicado se entregar. Em determinadas facções, se entregar é complicado. Eu sei disso. Hoje sou pastor, mas já fui do crime. Entendo a posição deles. Mas é aquele negócio, para o homem é impossível, mas para Deus tudo é possível.

Quer dizer que alguns queriam se render, mas tinham medo de ser assassinados na cadeia por retaliação da facção criminosa a que pertencem?

Rogério Menezes: É por aí. Cada caso é um caso. Depois dessa conversa que tivemos com eles, 37 se entregaram. Um se apresentou na delegacia com a mãe, a imprensa acompanhou. É o Mister M. Teve um pai que foi entregar o filho por acreditar que isso era melhor do que vê-lo morto pelo Bope. Acredito que eles não viam saída. Eu e o José Junior os motivamos a não irem para o confronto. Ninguém imaginava que o Alemão poderia ser ocupado da forma como foi. O maior mérito foi de Deus. Mas há também o mérito do AfroReggae, do José Junior, que foi muito corajoso.

Qual foi o diálogo com os traficantes que mais marcou o senhor?

Rogério Menezes: Vi homens de alta periculosidade me chamarem no canto e se abrirem para mim e para o José Junior. Teve gente que chorou. Não de medo. Chorou porque não queria o confronto, porque pensava na família. Foi o momento que mais me compadeceu. Eu ficaria o tempo todo ao lado daquelas pessoas, ainda que a polícia entrasse.

Nesse grupo havia chefes do tráfico?

Rogério Menezes: Positivo. Mas não vou falar disso em detalhes. Meu trabalho é religioso e eles confiam em mim. Quero apenas afirmar que eles não queriam guerra.

Quem falou mais, os senhores ou os traficantes?

Rogério Menezes: Eles ficaram mais tempo calados. Queriam ouvir a gente, queriam uma luz. Eles não estavam conversando com traficantes, mas com pessoas que simbolizavam a paz, a vida. Tem pessoas ali que me conhecem desde 1993, quando comecei a pregar. Muitos eu vi ir para a cadeia, sair da cadeia, visitei na favela. Havia homens com armas nas mãos, mas os que conversavam com a gente não estavam armados. Em momento algum eles diziam que iriam meter bala ou que optariam pelo confronto. Isso eu não vi.

O senhor diz que muitos traficantes não querem se render porque temem retaliações de colegas de facção dentro da cadeia; outros que já ficaram muito tempo presos e não aceitam voltar. A polícia afirma que vai permanecer na favela até realizar as prisões e recuperar as armas. O senhor defende alguma proposta para que não aconteçam novos conflitos?

Rogério Menezes: Sou a favor da anistia. Converso muito com traficantes e com viciados, visito muita boca de fumo. Eu evangelizo muito. Faço um trabalho de Deus, um trabalho do bem, espiritual. Já tirei muitos dessa vida e encaminhei para um emprego. E já vi caso também de pessoas que largaram o crime, se mudaram para outro estado, mas não conseguiram emprego porque devem à Justiça. Tiveram de voltar e retornar para o crime, tinham família. Mas eles me diziam “pastor, o senhor viu que tentei. Voltei para o tráfico, mas não bebo, não me drogo mais, nem a baile funk eu vou. Vai acabar meu plantão na boca e vou para casa ficar com meus filhos”.

O senhor não acha difícil propor para a sociedade que essas pessoas sejam anistiadas sem pagar pelos crimes que cometeram?

Rogério Menezes: É muito difícil responder sobre isso. Como religioso, acho que o culpado disso tudo são as forças espirituais do mal. Vou dar um testemunho da minha vida. Eu trabalhava, ganhava bem, três salários mínimos. Não era de uma vida errada. Mas em um determinado momento me senti sem chão. Tudo começou quando perdi meu pai. Minha mãe arrumou outro homem logo em seguida e eu não aceitei. Ela então me expulsou de casa. Eu tinha 16 anos. Bateu uma depressão tão grande, que perdi meu emprego, não conseguia trabalhar. Era morador da Baixada Fluminense, morava numa comunidade carente, conhecia bandido, conhecia traficante, mas eu era trabalhador. Nem todo mundo que mora dentro de uma comunidade é bandido. Minha família me deu estudo, o melhor que pôde dar. Mas eu caí na vida do crime, me entreguei à bebida, às drogas, fui preso. Houve momentos em que me vi sentado, chorando, querendo sair dessa. Eu despertei, procurei uma casa de recuperação. Tive apoio.

Apesar da visão religiosa do senhor, a anistia não é uma proposta polêmica?

Rogério Menezes: Cada caso é um caso. Proponho que essa decisão seja avaliada pelo governo, pelos parlamentares, pela Justiça. Caso a caso, insisto. Mas, particularmente, eu acredito que num universo com 100% de criminosos, se você oferecer uma oportunidade pelo menos 40% aceitam largar essa vida. É preciso considerar que muitos temem por suas famílias. Se forem presos, quem vai sustentar suas mulheres, seus filhos? Tem que haver um projeto social também.

Muitos bandidos fugiram e a polícia diz que vai capturá-los. O senhor acredita que esses traficantes vão voltar para o Complexo do Alemão futuramente? Ainda pode haver enfrentamento?

Rogério Menezes: Acredito que muitos homens que estavam ali no meio, inclusive os que fugiram, não têm antecedentes criminais. Às vezes até segura uma arma, mas é só um viciado. A polícia tem feito seu trabalho. E cabe à polícia e ao governo continuarem a fazer o seu trabalho. Contudo, também acredito que aquilo ali foi a mão de Deus a fim de despertar esses jovens. Acredito que muitos vão analisar e ver que não vale a pena se envolver com o crime. É a resposta que posso dar para essa pergunta.


O senhor está certo da recuperação dessas pessoas?

Rogério Menezes: Vou dar um exemplo. Trabalha com a gente lá no AfroReggae o Gaúcho. Durante muitos anos ele foi o chefe do Alemão, era um dos mais temidos na área. Ele tirou 28 anos de cadeia e hoje está aí, fora do crime, trabalhando com carteira assinada. Isso é a prova de que enquanto há vida, há esperança. O Bem-te-vi, aquele que morreu na Rocinha, ele vivia me dizendo que queria sair do crime. Eu ia para lá pregar umas sete da noite e ele não me deixava ir embora antes das três, quatro horas da manhã. Ele tinha o prazer de estar do meu lado. Muitas vezes o vi chorar. Ele me dizia “pastor, me ajuda. Quero sair dessa vida, mas não tenho forças. A sociedade me marginaliza, não acredita em mim”. Eu dizia, “rapaz, o mais importante é Deus estar olhando para você. Deus tem um plano para sua vida. Você não pode se entregar à criminalidade”.

Por que evangélicos são tão respeitados pelos criminosos?

Rogério Menezes: No sábado, na hora em que a polícia se posicionou para invadir o Complexo do Alemão, tinha um pastor na entrada da favela de terno e com a Bíblia na mão. Estava ele e a mulher dele. Aliás, havia mais de um, eram muitos. Eles ficaram entre os militares da polícia, do Exército e da Marinha, e os jovens. E eles procuravam esses jovens e diziam para que saíssem dessa vida. Ofereciam apoio: “quer se entregar comigo?”, perguntavam. No momento mais difícil, havendo risco de vida, eles estavam ali. E tem os testemunhos daqueles que saíram do crime e hoje estão aí, vivendo com dignidade. Isso mostra para eles que é possível.

Fonte: IG

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