sábado, 29 de janeiro de 2011

Personagem de terror do Espírito Santo, ex-delegado diz que seguiu a política do "bandido bom é o morto", mas que Jesus o fez um novo homem

Cláudio Antonio Guerra: "Me deram muito poder"
O temido ex-delegado diz que seguiu a política do "bandido bom é o morto", mas que Jesus o fez um novo homem


Um senhor de cabelos brancos, sandálias e mãos trêmulas que seguram uma Bíblia nos recebe em uma casa de repouso em Vila Velha. Por trás do jeito tranquilo está o homem que comandou no Estado o Departamento de Ordem Política e Social (Dops), cujo objetivo era controlar e reprimir movimentos contrários ao regime político na década de 70. Contra ele pesam acusações de formação de quadrilha, roubos de armas, tráfico de drogas, tortura e homicídios, incluindo o de sua própria mulher.

O temido ex-delegado da Polícia Civil Claudio Guerra, acusado de chefiar grupos de extermínio, garante que hoje é um novo homem. Aos 70 anos, afirma ter tido um encontro com Jesus no presídio onde cumpria pena por assassinato. Por isso admite erros, mas não é direto ao falar que matou ou torturou. Justifica seus atos com o contexto histórico em que viveu e com o poder que lhe foi dado.

Seu semblante calmo só se altera quando lembra do constrangimento da família ao visitá-lo na prisão. "O difícil é o vexame. Os visitantes precisam ficar nus. Não é justo, é algo que a Justiça precisa mudar", defende.

De delegado temido a pastor. Como se deu essa mudança?Foi plano de Deus. Antes servia ao homem e procurei fazer o melhor, mas cometi muitos erros. Reconheço isso porque agora tenho Jesus. Mas não pensava desta forma quando fui condenado. Avaliava que os meus atos eram justificados, feitos para proteger a sociedade.

Tinha alguma religião?Como todo brasileiro sem religião, dizia que era católico, mas não frequentava a igreja.

O que sentiu ao ser preso?Revolta. Não aceitava estar entre bandidos ao invés de uma prisão só para policiais. Era horrível. Na Penitenciária de Viana, na segurança média, dividia uma cela com mais três pessoas, mas no dia a dia convivia com outros presos. A raiva só começou a se transformar no início de 2006, quando conheci uma missionária de nome Santinha, muito parecida com a minha mãe. Foi o que me fez prestar atenção ao que ela pregava e me converti. Em 2007, com autorização da Justiça, fui batizado nas águas do Rio Jucu.

E como era a convivência com as pessoas que tinha mandado para a cadeia? As autoridades me alertaram que poderiam me matar, mas depois que comecei a frequentar e a participar dos cultos, passei a servi-los, a ajudar os que tinham problemas jurídicos. Até que a situação mudou.

Como?No início de 2008 a Promotoria avaliou que eu era um preso com mordomias e me transferiu para a ala de segurança máxima. Um lugar de castigo, isolado. Ficávamos 22 horas num cela pequena, sem energia. Fiquei 90 dias sem falar com minha família. Não pude nem levar a Bíblia. Hoje sei que Deus agiu para me mostrar que eu ainda tinha alguma soberba. Lá vi que estava sozinho, sem o apoio da família. Ali minha fé se fortaleceu.

De que forma?Estava em uma cadeira de rodas, com artrite reumatóide. Uma única vez tive condições de ir a um especialista, que me receitou remédios para as dores. Até que um presbítero orou por mim e disse que estaria andando na quinta-feira seguinte, e foi o que aconteceu. Sei que ocorreu um milagre comigo.

O senhor teve outros problemas de saúde?Tive 95% de obstrução nas veias do coração e precisei fazer uma cirurgia para colocar um stent.

O senhor acha que as pessoas acreditam na sua conversão?Não estranho e não fico magoado se não acreditarem. Antes eu dava risada quando me relatavam situações como a minha. Nunca imaginei que um dia seria pastor. Tinha até um trato com um colega, o investigador Pedro Suzano, de que se na velhice um dos dois tentasse se esconder atrás da Bíblia, o outro o mataria com um tiro de 12 (escopeta). Quando ele soube dos novos rumos da minha vida, enviou uma carta dizendo estar feliz com minha decisão.

Onde avalia que a sua vida perdeu o rumo? Antes de ser policial eu fui oficial de justiça em Minas Gerais. Lá ajudei a fazer a reintegração de posse de algumas terras e acabei fazendo inimizade com um fazendeiro que mandou me matar. Um primo acabou sendo morto em meu lugar. Na época, nada pude fazer porque me avisaram que havia o envolvimento de policiais. Anos depois fui convidado a participar de uma diligência para prender um foragido. Nela estava o policial que matou meu primo. No final, ele e o bandido estavam mortos. Ali começou o caminho para a violência.

O senhor os matou? Não me eximo de culpa porque estava junto.

O que veio depois? Fui convidado a atuar em uma força policial na divisa com Minas Gerais por conhecer bem a região. O objetivo era combater a pistolagem. Naquele mês a área foi limpa, mais de 30 pessoas - todos bandidos - morreram. Mas eu queria abandonar essa vida e fiz o concurso da Polícia Civil no Estado, onde passei a atuar como escrivão.

O que mudou?Vivia em paz, longe dessa coisa de matar que, apesar de negar, me dava medo. Um dia estava na delegacia, onde trabalhava com o coronel Décio Nascimento, quando recebemos a visita de um coronel mineiro, velho conhecido. Naquele dia Nascimento descobriu o meu passado e fui nomeado delegado de Maruípe. Assumi o cargo e comecei a me destacar. Algum tempo depois assumi a Delegacia Especializada em Crimes contra a Administração Pública. Era só fachada, porque fazia de tudo.

O senhor também comandou o Dops no Estado. Fui convidado por um coronel do Exército porque a guerrilha e a luta contra esquerda estava ferrenha. Eles me lembraram que eu tinha sido treinado para isso, o que era verdade. Aqui montei uma rede de informações mais eficiente que a do Serviço Nacional de Informações (SNI) no Rio de Janeiro. Tinha informantes em vários lugares, como o sul da Bahia, onde o partido (Partido Comunista ) foi estourado. Depois assumi várias delegacias, me destaquei e criei inimigos na corporação. Minha última função foi à frente do Grupo de Operações Especiais (GOE), até ser exonerado em 1990.

Há várias acusações contra o senhor por homicídio, formação de quadrilha, roubos de armas, tráfico de drogas e tortura.Hoje não me defendo de nada. Deus me conhece e sabe o que fiz ou não. Naquela época havia uma vontade política de me destruir e muitas coisas erradas foram feitas. No caso do Jonathas Bulamarques não digo que sou inocente, mas fui condenado também pela tentativa de homicídio contra as irmãs Denise e Déia Gava, mas as moças nem no hospital ficaram. Então, qual foi a tentativa de homicídio? Foi uma condenação política, mas isso é passado.

E a morte da sua companheira Rosa Maria Cleto? A morte dela era para mim. Ela e a irmã - Glória - foram executadas por alguém que reconheceram, mas isso não está nos autos. Alegam que mandei matá-la por ciúmes, mas estava no Rio de Janeiro apurando informações sobre o caso Araceli. A força tarefa trazida por Gerson Camata ao Estado indiciou policiais militares pelo crime, mas as armas deles não foram verificadas e seus depoimentos foram direcionados. Não há acusações contra mim nos autos.

E o caso Maria Nilce?Fui acusado de desviar os rumos do processo, mas eu prendi o José Sasso. A Polícia Federal só cumpriu o que eu já tinha feito, mas não chegou aos mandantes porque não interessava. Eu os teria encontrado.

Tem medo de ser morto? Não. Prego em lugares perigosos como Santa Rita e Alecrim, em Vila Velha, onde as pessoas me reconhecem. Já encontrei até quem tinha mandado prender.

Onde errou? Fiz escolhas erradas. Nunca deveria ter saído de Minas Gerais para aceitar poder no Espírito Santo. Foi me dado muito poder numa época em que se pregava a violência. O governo federal nos ensinava que bandido bom era o morto. Havia uma política de bandido morto e fui muito usado para isso. Não estava preparado para tanto poder. Hoje sei que esse foi o meu erro, porque ninguém tem direito de tirar a vida do outro, mesmo a do pior bandido, porque ele pode ter a oportunidade de mudar. E se isso não ocorrer, se ele for um risco para a sociedade, deve ser mantido em um lugar adequado, respeitando a sua integridade. Não respeitar isso foi meu erro no passado.

Como é sua rotina hoje? Estou em uma casa de repouso por determinação da Justiça, em decorrência do meu estado de saúde. Vou à farmácia, ao médico e à igreja. Não tenho escolta, mas apresento no fim do mês um relatório de tudo o que faço. Vivo com dificuldades financeiras, mas não quero nada do passado. Se quisesse bastaria um telefonema para os antigos amigos para ter uma vida tranquila.



Um passado de acusações e condenações

Vida. Cláudio Antonio Guerra está com 70 anos. Tem nove filhos e 11 netos. Estudou Direito em Colatina e voltou a se graduar, no ano passado, em Teologia, na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Foi oficial de justiça em Minas Gerais e escrivão e delegado da Polícia Civil até 1990 no Estado, quando foi exonerado. Agora luta por sua aposentadoria.

Condenação. Foi condenado a 42 anos de prisão  em regime fechado - dos quais ficou preso por 10 anos -, pelo atentado a bomba, em agosto de 1982, em Vitória, que mutilou o bicheiro Jonathas Bulamarques e feriu as irmãs Denise e Déia Gava. Bulamarques era apontado como chefe de uma quadrilha internacional de roubo de carros, tráfico de drogas, jogo de bicho e falsificação de dinheiro. No atentado, ele ficou mutilado, mas acabou sendo morto cinco meses depois, em uma invasão à sua casa, em Vila Velha.

Caso das irmãs. Glória e Rosa Maria Cleto, que foi companheira de Claudio Guerra, foram mortas em dezembro de 1980. Rosa foi encontrada em um lixão em Itacibá, Cariacica, com 19 tiros, e Glorinha com 11 tiros. Pelo crime, Guerra foi condenado a 18 anos de prisão, mas o caso aguarda decisão do Tribunal de Justiça, segundo ele.

Maria Nilce.  A jornalista foi assassinada no dia 5 de julho de 1989, aos 48 anos. Segundo o processo, os tiros foram dados por José Sasso. Até setembro de 1989, o inquérito foi presidido pelos delegados Josino Bragança e Cláudio Antônio Guerra, mas em agosto do mesmo ano passou para a Polícia Federal (PF) após denúncias de irregularidades na condução das investigações. A PF indiciou seis pessoas pelo crime. José Sasso foi morto em 18 de setembro de 1992. Contra Guerra pesavam acusações de ligações com Sasso, que estava em sua casa quando se pensava que estava foragido.








1990 - Delegado da Polícia Civil Cláudio Antônio Guerra



A Gazeta

Leia mais sobre o ex-delegado Cláudio Guerra no seculodiario.com

domingo, 16 de janeiro de 2011

A pregação em muitas igrejas evangélicas está voltada para milagres e curas, distantes dos princípios cristãos, diz pastor

O pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Vitória, Hernandes Dias Lopes é taxativo: o protestantismo no Brasil precisa passar por uma nova reforma. Na avaliação dele, as igrejas evangélicas se desviaram da verdade e vêm utilizando as Escrituras Sagradas para interesses e conveniências pessoais.

Entre eles estariam os milagres, as curas, a prosperidade. "Hoje as pessoas se aproximam de Deus não pelo que Ele é, mas pelo que dá. Desejam o que funciona, o que dá certo, o que permite tirar proveito", pontua Lopes.

Parte dessas igrejas, destaca o pastor, é liderada por pessoas que ficam ricas ao explorarem a inocência dos fiéis. "A maioria sem nenhum preparo cultural e moral", diz Lopes. E quando a igreja se afasta dos princípios do Cristianismo, observa o líder dos presbiterianos, "a vida começa a ficar errada: aparecem as dificuldades, os problemas familiares, a depressão, as drogas". Para ele, o caminho para contornar essa exploração é vencer o analfabetismo bíblico. É conhecer a verdade na fonte, nas Escrituras Sagradas. "Quando falta o conhecimento, as pessoas caem na rede das maiores loucuras, das maiores heresias, dos enganos mais sutis da religiosidade", lembra Lopes.

Na próxima quinta-feira, o reverendo aumenta a lista de suas publicações - que já chegaram à casa dos 90 - com o lançamento de mais três livros. Um deles é de devocionais, reflexões práticas que ajudam a entender os textos bíblicos. Veja abaixo mais detalhes da entrevista concedida pelo pastor Hernandes durante suas férias nos Estados Unidos.

Na próxima quinta, o senhor lança um livro com reflexões práticas sobre a Bíblia.
São 52 devocionais, um para cada semana do ano. É uma forma de mostrar para o leitor as riquezas, a atualidade e a pertinência que a Bíblia tem para os nossos dias. Neles trato de assuntos variados: família, casamento, criação de filhos, depressão, ansiedade, igreja, sociedade, cultura.

O Brasil é um dos países onde mais se imprime bíblias, mas também é onde ela é menos lida.
É um paradoxo. Uma cultura de analfabetismo bíblico. E com isso muitos se tornam inocentes úteis nas mãos dos espertalhões, dos aproveitadores. A Bíblia diz: "O meu povo está sendo excluído porque me falta o conhecimento". Quando falta o conhecimento, as pessoas caem na rede das maiores loucuras, das maiores heresias, dos enganos mais sutis da religiosidade.

Há preconceito?
Há quem pense que se trate somente de um livro religioso e que sua leitura pode deixar a pessoa bitolada, o que é uma tolice. A Bíblia é um livro de cultura geral extraordinário e absolutamente prático. Nenhum livro produziu tanta transformação de vida, de caráter, de família, de pessoas, de sociedade, de cultura. Ninguém pode ser dizer culto sem ler a Bíblia. O triste é que até no meio evangélico há quem a utilize de forma mágica.

Como?
Abre a Bíblia a esmo, põe o dedo em um versículo e diz: "O que Deus esta falando comigo?" A Bíblia não é um livro mágico, mas lógico, racional. Quem assim age está lendo a Bíblia pelo avesso, de cabeça para baixo, não está entendendo nada.

O senhor também já fez críticas ao meio evangélico por não se saber orar.
 
Vivemos em uma cultura antropocêntrica ou humanista, onde a própria religiosidade coloca o homem no centro. Hoje as pessoas se aproximam de Deus não pelo que Ele é, mas pelo que dá. Desejam o que funciona, o que dá certo, o que permite tirar proveito. A pregação é a da prosperidade, dos milagres, para o fiel ficar rico. O que leva a uma exploração da fé.

Essa pregação é a marca do neopentecostalismo, responsável pelo surgimento de inúmeras pequenas igrejas evangélicas.
 
Que pipocam em vários lugares e que são lideradas por pastores que ficam ricos ao explorarem a inocência das pessoas. A maioria deles sem nenhum preparo cultural e moral, o que gera o descrédito na religião, na fé cristã, e com isso não podemos concordar.

Como evangelizar nesse meio?
 
O que precisamos no Brasil é de uma nova reforma religiosa. A própria igreja evangélica desviou-se da verdade. Uma verdade que está na Bíblia, que precisa ser estudada como ela é, e não como querem que ela seja. O problema é que a estão usando para interesses próprios, para as conveniências pessoais.

Quais?
Prosperidade, sucesso, milagres, curas. Ninguém quer pagar o preço de conhecer a verdade, de viver a ética. Querem algo enlatado, fast food. A igreja evangélica cresce muito, mas em detrimento da ética. A pessoa se diz cristã, mas o seu comportamento não muda, assim como a sua família e a maneira como lida com o dinheiro. Esquecem que o Cristianismo é transformação. Ele muda o caráter, a vida, a família, a sociedade, a política. Quantos políticos no Congresso Nacional se dizem evangélicos e, muitas vezes, estão à frente da corrupção, usando a fé para benefícios pessoais em vez de serem transformados por ela?

A Reforma Protestante veio de um racha com a Igreja Católica por problemas semelhantes.
A Reforma foi uma volta às Escrituras Sagradas, quando Martinho Lutero e os outros reformadores perceberam que a igreja estava seguindo práticas que não tinham amparo nas escrituras. Hoje as próprias igrejas evangélicas têm práticas contrárias à Bíblia, com enganos, mentiras, milagres a granel. Abrem-se igrejas como se abrem franquias de empresas. É completamente contrário ao que a Bíblia ensina.

Essa discussão está ligada à proposta de retorno à chamada igreja primitiva? O que isso significa?
 
É o retorno à igreja dos apóstolos, fiel à verdade, disposta a morrer pelo Evangelho, que não negociava a verdade, os princípios, que não vendia sua consciência por dinheiro. Nela os cristãos estavam prontos para morrer pelo Cristianismo.

Era também uma igreja marcada pela vivência em comunidade, bem diferente do individualismo presente na atual sociedade.
Como já disse, é um século humanista, com cada um por si e Deus para todos, onde não há princípios do Cristianismo. Quando se abandona a teologia, a ética se perde. Quando a igreja foge da verdade, a vida começa a ficar errada, aparecem as dificuldades.

Quais?
 
Problemas no casamento, com os filhos, depressão, ansiedade, uso de drogas. No momento em que a sociedade abandona a verdade, perde o rumo na vida moral.

Há algum movimento em prol dessa reforma?
 
Sim. Não diria que há um movimento articulado, mas as igrejas históricas estão preocupadas com essa situação.

O que o senhor diria para quem busca espiritualidade? 

Que não se pode ter uma fé de segunda mão. A grande conquista da Reforma Protestante foi garantir a independência para buscar a Deus, para ler e entender as Escrituras Sagradas. Não é preciso interveniência de ninguém, não é preciso ser dependente de ninguém. A Bíblia diz: "Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará". Quem a conhece não se torna presa de lobos, não se torna inocente útil nas mãos dos aproveitadores.

Perfil

Vida. Hernandes Dias Lopes é de Nova Venécia, Norte do Estado. Casado com Udemilta Pimentel Lopes, tem dois filhos: Thiago e Mariana

Cursos. Estudou Teologia no Seminário Presbiteriano do Sul, em Campinas, São Paulo, e fez doutorado em Ministério no Reformed Theological Seminary, em Jackson, Mississippi, nos
Estados Unidos

Igreja. Foi pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Bragança Paulista, em São Paulo, de 1982 a 1984 e, desde 1985, é o pastor titular da Primeira Igreja Presbiteriana de Vitória

Atuação. É conferencista e escritor, com mais de 90 livros publicados. Mantém um programa - Verdade e vida - nas manhãs de sábado, na Rede Vida. É diretor da instituição Luz para os Caminhos, em Campinhas, São Paulo

Contatos. Teólogo respeitado no meio cristão, possuiu um site hernandesdiaslopes.com.br. Nele é possível encontrar seus sermões, livros, pastorais e vídeos sobre sua atuação

Confira!

Devocionais. O livro contém 52 reflexões práticas sobre a Bíblia, abordando temas como depressão, família, dinheiro, espiritualidade, ansiedade e amizade. Traz ainda mapas e uma seção que ajuda o leitor
a entender melhor questões como os pesos e medidas da época de Jesus. O texto é escrito com uma letra maior, o que pode facilitar a leitura. Lançado pela Editora Hagnos (www.hagnos.com.br), custa R$ 32,90

Outros. No mesmo dia, o pastor Hernandes Dias Lopes lança outros dois livros: "As Súplicas do Mundo" e "Ouça
o que espírito diz às igrejas", também da Editora Hagnos

Local. O lançamento dos livros acontece na próxima quinta-feira, dia 20, às 16h, na Livraria Moriá, em Vila Velha

Fonte:  A Gazeta

domingo, 2 de janeiro de 2011

A Besta do Apocalipse: o número 666, qual o significado?

O Apocalipse de São João fala de duas besta. A besta do mar e a besta da terra, que formarão o "Anticristo" no fim dos tempos. Os comentaristas dizem que a Besta que vem do mar é o poder político, aliado ao temível Satanás. E a besta que vem da terra é o poder do dinheiro. A besta da terra, o poder financeiro, "Fará todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e escravos, a receber uma marca na sua mão direita, ou sobre a fronte, e que ninguém possa comprar ou vender, a menos que ele leve essa marca, que foi a fera , ou o número que representa seu nome. Aqui está a sabedoria do homem. Aquele que tem entendimento, calcule o número da: besta. Porque é o número de um eo número dele é 666 ".
(Ap 13:16-18)

A respeito do anticristo, e do número da besta, a palavra "besta" é usada simbolicamente para demontrar a ignorância do homem (Salmos 73:22), agindo como uma criatura irracional. isto é, sem consciência diante de Deus. No original, é a mesma palavra que aparece traduzida de forma diferente em Salmos 94:8; Jeremias 10:8,14,21; 51:17.


A palavra "besta" é usada também para designar grandes poderes seculares, tendo diferentes características, dependendo da criatura simbólica que é descrita, mas significando em todos os casos a ausência de qualquer conexão moral com Deus. Desta forma foi usada por Daniel referindo‑se aos quatro grandes reinos (Dan. 7:3‑23), em Apocalipse referindo‑se ao Anticristo e ao Império Romano restabelecito (Ap. 13:1; 20:10).


Quanto ao número da besta, 666, muitos já tentaram decifrá‑lo, fazendo contas mirabolantes e chegando a identificar os papas como sendo a besta. Não creio que esteja certo pensar assim, pois, embora a besta tenha poder eclesiástico, em Apoc. 17:16 vemos a grande meretriz, a Babilônia, que é a cristandade professa, da qual não faz parte apenas Roma, ser desolada pelos dez chifres da besta.


Essa cristandade inclui todo o sistema cristão criado por homens, que estará então unificado sob a influência de Roma. Os verdadeiros crentes, mesmo aqueles que agora pertencem a tais sistemas, serão arrebatados por Cristo antes da revelação da besta, ficando aqui na terra apenas as organizações chamadas cristãs, com seus membros que não tiverem sido renascidos, os quais continuarão a celebrar seus cultos e ofícios religiosos, se unindo cada vez mais até darem as boas vindas à besta.


O número 666 significa número de homem. Na Bíblia encontramos que o número 7 significa algo espiritualmente completo. Costuma estar relacionado ao bem e à perfeição.(Num. 8:2, Lev. 4:6,17; 8:11; Apoc. 1:4). Já o número 6 significa imperfeição ou algo incompleto, pois não chega a ser sete. O número 3 é algo completo em seu testemunho, assim como Deus é completo sendo uma trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, equanto ainda um só Deus.


Portanto, o número 6 repetido 3 vezes pode ser identificado como a completa imperfeição. Satanás irá querer imitar a Trindade divina, pois vemos a atuação de Satanás, da besta e do falso profeta. 666 é, portanto, a imperfeição elevado ao seu grau máximo. Pode ser que o número em si tenha um significado mais particular, identificando um determinado homem.


Mesmo assim, isso são apenas suposições, pois não devemos nos esquecer de que o número citado em Apocalipse não são três números "6", como "seis, seis, seis" ou "meia, meia, meia" como costumamos dizer, mas "seiscentos e sessenta e seis", um número inteiro.


Todavia, como o iníquo só será revelado após o arrebatamento, é infrutífero ficarmos tentando associar o número a algum homem. Assim como teria sido impossível para um israelita do Antigo Testamento discernir a Igreja, que só seria revelada a Paulo e, mesmo assim, depois de sua formação no dia de Pentecostes, tentar discernir algo que só irá interessar o remanescente judeu depois do arrebatamento pode não ser exatamente o que Deus quer daqueles que hoje fazem parte da igreja. O remanescente judeu que vai se converter durante a tribulação, depois que nós, a Igreja, formos arrebatados, terá subsídios suficientes para discernir o homem ao qual o número 666 se refere.
Fonte: respondi.com.br/2005/05/qual-o-significado-da-besta-e-do-666.html


O que é a marca da besta (666)?




Pergunta: "O que é a marca da besta (666)?"

Resposta: A passagem principal na Bíblia que menciona a "marca da besta" é Apocalipse 13:15-18. Outras referências podem ser encontradas em Apocalipse 14:9,11; 15:2; 16:2; 19:20; 20:4. Essa marca age como um "selo" para os seguidores do anticristo e o falso profeta (o porta-voz do anticristo). O falso profeta (a segunda besta) é aquele que leva as pessoas a aceitarem essa marca. Essa marca é literalmente colocada na mão ou na testa, e não é apenas um cartão que alguém carrega.

Os progressos recentes em tecnologias médicas para implantar chips têm aumentado o interesse na "marca da besta", a qual é mencionada em Apocalipse capítulo 13. É provável que a tecnologia que hoje vemos representa os primeiros passos do que pode eventualmente se tornar a "marca da besta". É importante que saibamos que um chip médico implantado não é a marca da besta. A marca da besta será algo dado apenas àqueles que louvam o anticristo. Ter um microchip médico ou financeiro inserido na sua mão direita ou testa não é a marca da besta. A marca da besta vai ser uma "marca" do fim dos tempos exigida pelo anticristo para comprar ou vender e será dada apenas àqueles que adoram ao anticristo.

Muitos expositores bons do livro de Apocalipse têm tido opiniões bastante diferentes sobre o que exatamente a marca da besta é. Além da opinião de uma "carteira de identidade", outros têm especulado que é um microchip, um código de barras que é tatuado na pele, ou simplesmente uma marca que identifica alguém como sendo fiel ao reino do anticristo. Essa última opinião exige menos especulação, já que não adiciona mais informação ao que a Bíblia nos diz. Em outras palavras, qualquer uma dessas idéias é possível, mas ao mesmo tempo são apenas especulações, então teremos que esperar e ver o que acontece. Não devemos perder muito tempo especulando sobre detalhes que vão além do que a Bíblia diz.

O significado de 666 também é um mistério. Recentemente, muitas pessoas especularam que havia uma conexão a 6 de junho de 2006 – 06/06/06. No entanto, de acordo com Apocalipse capítulo 13, o número 666 identifica uma pessoa, não uma data. Apocalipse 13:18 nos diz: “Aqui está a sabedoria. Aquele que tem entendimento calcule o número da besta, pois é número de homem. Ora, esse número é seiscentos e sessenta e seis”. De alguma forma, o número 666 vai identificar o anticristo. Por séculos, intérpretes da Bíblia têm tentado identificar certos indivíduos com 666. Nada é conclusivo. Por isso Apocalipse 13:18 diz que o número requer sabedoria. Quando o anticristo for revelado (2 Tessalonicenses 2:3-4), vai ser claro quem ele é e como o número 666 o identifica.
Fonte: gotquestions.org/portugues/marca-besta-666.html

sábado, 25 de dezembro de 2010

Conheça as mulheres que acompanharam Cristo

Elas protagonizaram passagens que definiram o cristianismo, estiveram com ele nas pregações e não o abandonaram no calvário. Saiba quem foram as representantes do sexo feminino que acompanharam Cristo em toda sua trajetória
João Loes
“Cristo na Casa de Maria e Marta”,
de Alessandro Allori: as irmãs de Lázaro representam diferentes
modelos de mulher na nascente comunidade cristã

Os homens dominam a história do cristianismo. A começar por Deus, o Pai, onipresente e onipotente, criador e não criadora, passando pelos 12 apóstolos, que não incluíam uma mulher sequer, e culminando com Jesus, Filho e não filha. Curiosamente, porém, são as mulheres que não só participaram, como protagonizaram boa parte dos momentos cruciais da vida de Cristo. Da concepção à crucificação, enquanto homens traíam ou fingiam não conhecer o Messias, elas não se acovardaram diante das dificuldades. Mas quem são essas mulheres e por que elas são importantes? E como, hoje, as cristãs batalham para encontrar mais espaço dentro da Igreja?

Com a leitura dos Evangelhos como relatos simbólicos aliada ao estudo histórico do tempo de Cristo, é possível resgatar o protagonismo de algumas mulheres na vida de Jesus. “Cada época lê os Evangelhos de uma maneira”, resume Stephen Binz, biblista formado pelo Pontifício Instituto Bíblico, em Roma, e autor do livro “Mulheres nos Evangelhos: Amigas e Discípulas de Jesus”, a ser publicado nos Estados Unidos em janeiro de 2011. “E as verdades e conclusões tiradas do texto derivam da vida e das prioridades de quem o lê.”

“A Noite Sagrada”,
de Carlo Maratta: Maria muitas vezes não compreendeu a
mensagem do filho. Mas tinha uma devoção radical por ele

A visão feminina do Novo Testamento sempre existiu, mas o estudo sistematizado com vistas às revisões do papel da mulher na vida e no legado de Jesus é mais recente. O que se convencionou chamar de teologia feminista nasceu com os movimentos pelos direitos das mulheres nos anos 60, quase dois mil anos depois da reunião dos textos que compõem a segunda parte da Bíblia. “Prevaleciam, e ainda prevalecem, em muitos lugares interpretações dos textos que justificavam a subjugação da mulher”, conta Yury Puello Orozco, teóloga feminista do departamento de Ciências da Religião pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Às perguntas que buscavam a justificação da existência do mal, por exemplo, convencionou-se afirmar que a culpa era da mulher, que, na figura de Eva, no Antigo Testamento, cedeu às tentações do diabo e comeu o fruto da árvore proibida. “Se as mulheres eram fracas e sugestionáveis como alguns dizem, por que foram elas as testemunhas de momentos-chave do cristianismo, como a morte e a ressurreição de Cristo?”, questiona Yury. “Os apóstolos, na hora do aperto, foram incrédulos e fugiram, enquanto as mulheres permaneceram ao pé da cruz”, lembra.

Uma das que continuaram lá, firme e forte, foi Maria de Nazaré, a mãe de Jesus, reconhecida como a figura feminina mais importante na vida de Cristo. Não só por estar ali, em um dos momentos de maior aflição do filho que era dela e de Deus, mas por toda sua história ao lado do Messias. “Ela não foi só mãe carnal, foi mãe moral e psicológica”, lembra frei Clodovis Boff, teólogo, filósofo e mariólogo com formação pela Universidade Católica de Leuven, na Bélgica. Segundo Boff, um dos documentos publicados ao final do Concílio Vaticano II (1962-65), o famoso encontro de bispos do mundo inteiro que soprou ventos de modernidade na Igreja, sintetiza bem a natureza excepcional da devoção de Maria. “Diz-se que ela foi uma mulher que peregrinou na penumbra da fé”, afirma o teólogo. Mesmo sem compreender tudo que seu filho dizia e fazia, ela acreditou na palavra de Deus e seguiu dando espaço para que Jesus passasse sua mensagem. “A proposta de Cristo era uma coisa misteriosa, chocou todo mundo e a ela também, mas ainda assim ela o acolheu”, explica.

“Verônica Segura a Mortalha Sagrada”,
de Simon Vouet: a desconhecida que virou
santa por ter enxugado o suor de Cristo

São muitos os momentos na vida de Nossa Senhora que mostram extrema confiança no projeto divino, mas alguns merecem destaque. Um deles é a anunciação, quando o anjo Gabriel conta a Maria, virgem e noiva de José, que ela conceberia um bebê mantendo-se casta e que esta criança, que deveria se chamar Jesus, reinaria para sempre como Filho do Altíssimo. Diante da grandeza do que foi dito, Maria, embora assustada, aceitou o anúncio como a vontade de Deus e se colocou à disposição do projeto. É difícil imaginar o peso que essa mulher aceitou carregar. Jovem, pobre e prometida em casamento, ela estava grávida em um mundo onde a mulher adúltera – e essa suspeita recaiu sobre ela – era condenada publicamente à morte por apedrejamento. “E ela não assume esse papel como uma testemunha passiva da vontade divina”, lembra Luiz Alexandre Solano Rossi, pós-doutor em teologia e em história antiga. “Maria vive a missão ativamente e trabalha para que ela dê certo.”

Para Rossi, a visita de Maria à prima, também grávida, por intercessão divina, Isabel, no sexto mês de sua gestação, é exemplo claro da disposição da mãe de Cristo em participar do projeto de Deus e não apenas acompanhá-lo como espectadora. “É um prenúncio do protagonismo que ela terá na vida do filho”, afirma. A visita também tem um papel simbólico que fará de Isabel outra mulher importante na vida de Jesus, embora não se saiba se eles se conheceram pessoalmente. Foi no encontro com Maria que Isabel confirmou o projeto de Deus à prima ao anunciá-la como bendita entre as mulheres, além de bendizer o fruto de seu ventre. Para alguns exegetas bíblicos, estudiosos que esmiúçam o que diz o livro sagrado católico, a visita tem forte valor simbólico. Isabel, idosa e estéril, mas grávida de João Batista, representaria o passado que abre caminho e dá as boas-vindas ao novo, que é Maria, jovem e grávida de Jesus. “Entre os tradicionais e partidários mais radicais do judaismo, há quem diga que o Messias, na realidade, seria João Batista e não Jesus, já que o vínculo com o passado judaico do primeiro é mais forte que o do segundo”, afirma Rafael Rodrigues da Silva, professor de teologia da PUC-SP.


“Maria Magdalena”,
de Giovanni Pietro Rizzoli: a preferida de Jesus, escolhida por
ele para anunciar a ressurreição, símbolo máximo do cristianismo

As dúvidas sobre o messianismo de Jesus o acompanharam sempre. Já adulto, durante suas peregrinações, Cristo teve de lidar inclusive com a desconfiança de homens de seu círculo mais íntimo. Com as mulheres que também o seguiam, porém, a situação era diferente. Do pouco que se sabe delas, fica claro que viviam a fé de forma plena. “Elas ajudavam a arcar com os custos do ministério de Jesus e a tocá-lo adiante sem questionamentos, o que mostra uma obediência saudável e importante naquele momento”, conta Binz, o biblista. O autor lembra ainda quão estranho devia ser, na época, ver um profeta circulando com um grupo de seguidores que incluía um número razoável de mulheres. Afinal, o gênero feminino, como os estrangeiros, os pobres e os doentes, vivia à margem da sociedade.

Mas era na margem que Jesus caminhava e foi lá que ele encontrou outra mulher que seria fundamental em sua vida: Maria de Magdala, também conhecida como Maria Madalena. Exorcizada por ele de sete demônios, ela passou a segui-lo e se tornou seu braço-direito no ministério. Jesus deu inúmeras demonstrações de confiança a Maria Madalena – boa parte registrada nos evangelhos canônicos e outra contada nos chamados apócrifos, escritos que datam quase em sua totalidade do século III, mas que não foram incluídos na “Bíblia”. Ela é chamada de apóstola dos apóstolos, por exemplo, e chega a despertar ciúmes nos homens que seguem Cristo. A mais poderosa das demonstrações de confiança do Messias em Madalena, e, por extensão, nas mulheres, foi o fato de tê-la escolhido para ser a primeira testemunha de sua ressurreição, o momento definidor da fé católica. Foi ela quem viu e anunciou aos apóstolos que Jesus havia aparecido a ela ressuscitado.

A predileção de Cristo por Maria Madalena é tamanha que ela semeou especulações de que ambos teriam se envolvido romanticamente. A tese foi explorada, virada e revirada nos últimos dois mil anos e certamente continuará rendendo histórias, como a contada por Dan Brown no best seller “O Código da Vinci”, de 2003. Em certa medida, a recusa em aceitar que não houve romance entre os dois mostra que a natureza da mensagem de amor incondicional não necessariamente romântico de Jesus continua sendo revolucionária e de difícil compreensão. “A figura de Maria Madalena traz uma crítica aos códigos de pureza e mostra, na prática, o quanto a mensagem de amor de Jesus é para todos”, explica o padre Marcio Fabri dos Anjos, doutor em teologia pela Universidade Gregoriana de Roma.

E cada um vive a devoção à sua maneira. A história de outras duas mulheres próximas de Jesus na “Bíblia” é exemplo disso. Marta e Maria, irmãs de Lázaro, têm dois encontros importantes com o Messias. E o primeiro é representativo das diferentes naturezas que a fé pode ter. Nele, as mulheres recebem Jesus, que circulava pela região de Betânia, na casa onde moravam. Ao ver o Messias, Maria abandonou os afazeres domésticos e se sentou aos pés de Cristo para ouvi-lo. Na tradição de então, sentar aos pés de alguém é postura clássica do aluno diante do mestre. Já Marta repreendeu a irmã e Jesus por tê-la deixado sozinha com as obrigações do lar. “Há quem coloque as duas em oposição – uma certa e outra errada”, explica o teólogo Rossi. “Na verdade as atitudes se complementam.” Maria representaria a porção contemplativa da fé, enquanto Marta a prática.

Nem todos, porém, concordam com esse entendimento do episódio. Os defensores do protagonismo de Maria sobre Marta argumentam, por exemplo, que, ao se sentar aos pés de Jesus, ela questiona a função feminina, abandonando as regras que a amarravam aos afazeres domésticos. A outra, alheia à boa nova, continuaria muito ligada às tradições com as quais Jesus pretendia quebrar. Ainda assim, dizem os ardorosos defensores de Marta, sobraria uma função importante para ela. Sendo dela a responsabilidade sobre o lar – e o lar, na igreja primitiva, era onde a fé cristã era praticada clandestinamente –, ela surgiria como a grande autoridade do espaço de fé. “Em última instância, essas mulheres são importantes por que mostram que não existe só um modelo de mulher na nascente comunidade cristã”, lembra Rossi. “Elas têm liberdade para escolher o que querem ser.”

“A Ressurreição de Lázaro”,
de Andrea Vaccaro: Maria representa a contemplação
e Marta a prática cristã

Foi esse espírito que fez engrossar a fileira de mulheres conhecidas e desconhecidas que acompanharam Jesus do início de sua peregrinação à crucificação. Os evangelhos de Marcos, Mateus e Lucas são explícitos quanto à numerosa presença feminina na paixão e ao pé da cruz. A importância delas, aliada ao fato de que muitas não foram identificadas, alimentou uma verdadeira fábrica de lendas sobre o papel que elas tiveram nesses momentos definidores. Uma dessas narrativas conta a história de uma desconhecida que teria enxugado o suor do rosto de Cristo com um pedaço de tecido no caminho do Calvário. O pano teria ficado marcado com as feições de Jesus, antecipando o que aconteceria com o manto mortuário, reconhecido atualmente como Santo Sudário, a principal relíquia católica. Já a tal mulher desconhecida entrou para a história como Santa Verônica, nome atribuído a ela por significar “imagem verdadeira”.

Era de se esperar que o Novo Testamento – cujos principais textos foram redigidos por quatro homens nascidos e criados em uma cultura eminentemente patriarcal – pouco dissesse sobre as personagens que foram decisivas na trajetória de Cristo. Pudera, na dura descrição de Cícero (106 a.C. - 43 a.C.), filósofo e cronista do tempo de Jesus, as mulheres estavam à frente apenas dos animais na estrutura social. Mas, contrariando a lógica de então, os relatos de Mateus, Marcos, Lucas e João, compilados entre os anos 30 d.C. e 80 d.C., dão enorme importância à presença feminina. Especula-se que a proximidade temporal da influência de Jesus – que não fazia distinção entre homens, mulheres, ricos ou pobres –, associada à expectativa real de que o Messias retornaria em breve à terra para julgar os vivos e os mortos, povoasse o imaginário dos redatores dos evangelhos.

Com o passar do tempo, porém, o distanciamento das fontes primárias e a institucionalização da Igreja, o que se viu foi o contínuo afastar da presença feminina da vida e do legado cristão, de modo a espelhar a cultura patriarcal de onde ela veio. Um abandono lento, mas persistente do radicalismo inclusivo pregado por Jesus. “A organização e a hierarquização acabaram com o pluralismo das primeiras comunidades cristãs”, argumenta Silva, da PUC.

Mas o legado feminino deixado pelas mulheres contemporâneas de Jesus tem valor inestimável. Serviu de referência para o corpo de fiéis que começou a se formar nos primórdios do cristianismo e nos últimos dois mil anos teve papel fundamental na criação da identidade católica. O que começou com figuras com Lídia de Tiatira e Tecla de Icônio foi terminar em Madre Teresa de Calcutá, passando por Santa Teresa D’Ávila e Santa Juana Inés de la Cruz. Embora as mulheres ainda não gozem do prestígio e reconhecimento que tinham nos tempos de Cristo, a força das histórias daquelas que viveram a fé de forma plena, por meio de atos e palavras, deixou sua marca e continua estimulando mudanças estruturais. “Em pleno século XXI, temos uma igreja que, no que diz respeito às mulheres, ainda está na Idade Média”, protesta a teóloga feminista Yury Orozco. Vale ressaltar que os protestantes estão muito mais evoluídos neste quesito, com bispas ordenadas, inclusive. Que a luta pelo reconhecimento feminino, que já tem dois mil anos, não precise continuar por mais dois mil anos. Mas, se for esse o caso, não há nenhum sinal de que as mulheres vão esmorecer. E isso é ótimo.

Era de se esperar que o Novo Testamento – cujos principais textos foram redigidos por quatro homens nascidos e criados em uma cultura eminentemente patriarcal – pouco dissesse sobre as personagens que foram decisivas na trajetória de Cristo. Pudera, na dura descrição de Cícero (106 a.C. - 43 a.C.), filósofo e cronista do tempo de Jesus, as mulheres estavam à frente apenas dos animais na estrutura social. Mas, contrariando a lógica de então, os relatos de Mateus, Marcos, Lucas e João, compilados entre os anos 30 d.C. e 80 d.C., dão enorme importância à presença feminina. Especula-se que a proximidade temporal da influência de Jesus – que não fazia distinção entre homens, mulheres, ricos ou pobres –, associada à expectativa real de que o Messias retornaria em breve à terra para julgar os vivos e os mortos, povoasse o imaginário dos redatores dos evangelhos.


“A Imaculada Conceição”,
de Bartolom Estebam Murillo: Maria é a figura
feminina mais importante do cristianismo

Com o passar do tempo, porém, o distanciamento das fontes primárias e a institucionalização da Igreja, o que se viu foi o contínuo afastar da presença feminina da vida e do legado cristão, de modo a espelhar a cultura patriarcal de onde ela veio. Um abandono lento, mas persistente do radicalismo inclusivo pregado por Jesus. “A organização e a hierarquização acabaram com o pluralismo das primeiras comunidades cristãs”, argumenta Silva, da PUC.

Mas o legado feminino deixado pelas mulheres contemporâneas de Jesus tem valor inestimável. Serviu de referência para o corpo de fiéis que começou a se formar nos primórdios do cristianismo e nos últimos dois mil anos teve papel fundamental na criação da identidade católica. O que começou com figuras com Lídia de Tiatira e Tecla de Icônio foi terminar em Madre Teresa de Calcutá, passando por Santa Teresa D’Ávila e Santa Juana Inés de la Cruz. Embora as mulheres ainda não gozem do prestígio e reconhecimento que tinham nos tempos de Cristo, a força das histórias daquelas que viveram a fé de forma plena, por meio de atos e palavras, deixou sua marca e continua estimulando mudanças estruturais. “Em pleno século XXI, temos uma igreja que, no que diz respeito às mulheres, ainda está na Idade Média”, protesta a teóloga feminista Yury Orozco. Vale ressaltar que os protestantes estão muito mais evoluídos neste quesito, com bispas ordenadas, inclusive. Que a luta pelo reconhecimento feminino, que já tem dois mil anos, não precise continuar por mais dois mil anos. Mas, se for esse o caso, não há nenhum sinal de que as mulheres vão esmorecer. E isso é ótimo.

“Festa de Casamento em Caná”,
autor desconhecido: foi a mãe de Jesus quem informou que
o vinho da festa havia acabado. E deu-se o primeiro milagre


sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Jesus também ensina você a ficar no azul e a ser investidor

Se vivesse hoje aqui, mesmo com as tentações do consumo, ele não seria mais um endividado


Investidor, ético, preocupado com o futuro e solidário. Jesus também é exemplo na vida financeira e para quem quer uma carreira de sucesso. Na verdade, ele é mais que isso. Cristo é um verdadeiro consultor. Conselhos que ele deu há quase dois mil são muito atuais para a administração do seu dinheiro e da sua carreira.

Se vivesse nesta época de descontrole nas finanças, Jesus iria se destacar por sua organização. Talvez ele tivesse cheque, cartão de crédito e carro como qualquer um de nós. A diferença é que todos os seus gastos seriam minimamente calculados.

Nada de compras a prazo. Mesmo sofrendo as mesmas "tentações do consumo" que qualquer mortal, Jesus só iria gastar o que tem. Segundo Paulo de Tarso, que é mestre em teologia e dono do site Finanças para a Vida (www.financasparaavida.com.br), Cristo não vê o dinheiro como algo ruim. É a forma de usá-lo que pode ser prejudicial.

"Jesus tinha algo especial. Ele era um verdadeiro líder. Se fosse empresário, por exemplo, teria incentivado seus discípulos a formarem empresas. Sua visão de gestão era muito apurada. Ele nos ensina a ter integridade nas finanças, a não se expor a riscos e a multiplicar o que ganhamos", afirma.

O casal Arnaldo e Débora de Souza, líderes do programa Crown (curso de finanças baseado nos ensinamentos bíblicos) acredita que Jesus tinha um espírito investidor. "Em suas falas na Bíblia, Cristo deixa claro que está ao lado de quem faz aplicações e é contra as atitudes das pessoas que se endividam, pagam juros e fazem gastos desenfreados", explica Arnaldo.

Para o filho de Deus, o dinheiro tem um grande valor: ser usado para ajudar as pessoas. "Ser rico não é problema. O dinheiro só não pode virar o senhor da vida de ninguém. Ao gastar ou ao poupar, ter um objetivo é importante. As famílias precisam estar unidas na vida financeira. O lema de um casal, por exemplo, deve ser uma só carne e um só orçamento", diz Débora.

Ele usa a Bíblia como manual financeiro
A vida de Thiago Silva Boy mudou completamente quando ele passou a usar os ensinamentos de Jesus para organizar suas finanças. Tudo começou há um ano, ao entrar para a Igreja Batista. No local, ele fez o curso de administração pessoal e aprendeu a usar a Bíblia como um manual financeiro. "Antes eu tinha dívidas no cartão de crédito, no cheque especial e até empréstimos. Não entendia nada sobre finanças. Depois de fazer um curso na igreja percebi que Deus nos ensina várias formas de lidar com o dinheiro. Então, depois dessa lição, eu resolvi mudar. Quitei todas as minhas dívidas e hoje sobra dinheiro para fazer aplicações. Passei a entender que Deus é proprietário da minha vida e que gastos são decisões espirituais. Jesus mudou a minha vida até da minha família. Meus pais também agora utilizam os mesmos ensinamentos para organizar as finanças da casa."

Cristo: um  sucesso de empreendedor
Empreendedorismo é algo que Jesus tinha de sobra. O seu negócio era divino, mas para que tivesse sucesso, Cristo encontrou alternativas para a expansão da sua visão. E qualquer profissional hoje pode tirar da vida de Jesus várias lições práticas para crescer no mercado, sendo patrão ou empregado.

Tanto na sua tarefa espiritual como na pele de um simples humano, a lição que Jesus dá é de um empreendedor humilde, no entanto bastante focado na sua missão. E, apesar de sua liderança nata, seu maior objetivo era formar novos líderes.

"Ele tem grande influencia na gestão por ser motivado e perseverante. Jesus também era muito ético. Valores e crenças são essenciais para uma organização", afirma o administrador Giovani Borgo Sardi.

Para o empresário Arnaldo de Souza, outra lição que Jesus ensina é compromisso. "Hoje, o setor empresarial afirma que é preciso burlar a tributação para sobreviver. Mas Jesus condena isso. Sonegar é roubar", diz.

Lições para o equilíbrio estar na sua vida
Jesus trabalhador. A Bíblia diz que Jesus era carpinteiro antes de assumir sua missão divina. No entanto, ele via o trabalho como uma dádiva. O salário, para ele, era uma recompensa. Não era um profissional medíocre. Se fosse funcionário de uma empresa, por exemplo, ele estaria sempre disposto a crescer. Textos para te motivar: João 5.17, Colossenses 3.23-24, Mateus 20.6. Das 50 parábolas na Bíblia, 40 falam sobre o ambiente de trabalho.

Jesus: o planejador e o investidor. Jesus tinha preocupação com as finanças. Na Bíblia, existem 2.350 versículos que dão lição financeira. Ele ensina as pessoas a planejarem seus gastos, incentiva as pessoas a pouparem, a investirem o seu dinheiro, como na Parábola dos Talentos (Mateus 25.14-28). A história serve para mostrar que as pessoas que não poupam correm risco de perderem o pouco que tem. Leia também: Romanos 13.8, Thiago 4.13-15, Provérbios 3.27-28.

Jesus Empreendedor de sucesso. Jesus era totalmente a favor dos negócios e do lucro. Para ele,
a atuação empresarial existe para dignificar o homem e seus semelhantes. Ele era um grande empreendedor. Seu negócio era investir em vidas. Aprenda com ele a fazer uma administração de sucesso: João 15:1-2, 2 Coríntios 12:9, Filipenses 4:13, Mateus 7.7-28.

Jesus e as riquezas. Para ele, a riqueza faz mal quando a pessoa ama mais o dinheiro do que a vida e as pessoas. Mateus 6.19-24.

Jesus e os impostos. O homem pode até considerar a cobrança de impostos abusivas, mas Jesus aconselha a pessoa a pagar tudo que é cobrado. Para Jesus, quem não paga impostos, tanto o consumidor quanto um empresário, está cometendo roubo. Mateus 17.24-27 e Mateus 22.15-22.

Economia solidária
Análise
Giovani Borgo Sardi Administrador, professor do curso de Administração da Faesa e católico

Com Jesus podemos aprender que gerar riqueza é essencial para o sustento da população. Ele nos incentiva a guardar dinheiro, a poupar e a investir com o objetivo: de ajudar alguém. É claro que também podemos atender aos nossos desejos, mas o importante é ter uma meta de vida. No caso das empresas, a preocupação deve ser o cuidado com a natureza e com o bem-estar da comunidade. E na Bíblia é possível encontrar ensinamentos que nos levam a uma economia solidária, pensando no planeta. Os princípios de Jesus nos ensinam disciplina na vida pessoal e na empresarial. Independente da fé, dá para tirar boas lições de vida.



Mikaella Campos
A Gazeta

domingo, 12 de dezembro de 2010

Moisés? O Mar Vermelho pode ter sido dividido pelo vento

A famosa passagem da Bíblia onde Moisés divide o Mar Vermelho pode ter sido real, segundo simulações feitas em computadores.

A história do Livro do Êxodo diz que os judeus estavam fugindo do Egito, liderados por Moisés, e com o exército do Faraó em seu encalço. Moisés ergue seu cajado e divide o Mar Vermelho, para que os judeus pudessem passar pelo meio das águas. Quando o exército do faraó tenta perseguí-los, a água do mar cai sobre os soldados, fazendo com que os judeus ficassem a salvo.

Agora simulações feitas por cientistas americanos mostram que uma espécie de ponte poderia ter sido aberta em um determinado local do Mar Vermelho, ajudando os judeus a atravessarem as águas em segurança.

As pesquisas mostram que um vento leste forte poderia ter empurrado a água para um local onde um rio desaguava em uma lagoa. Com a água sendo empurrada para dois lados (para o natural e pelo vento leste) uma ponte seria aberta e pessoas poderiam atravessar em segurança.

Assim que o vento parasse, a água voltaria ao seu lugar original.

Segundo um dos pesquisadores responsáveis pelo estudo, Carl Drews, do Centro Nacional de Pesquisa Atmosférica dos EUA, a simulação bate com a situação apresentada pelo Livro do Êxodo – desde que um vento leste forte tenha soprado durante algum tempo.

Outros cientistas já tentaram explicar esse milagre de Moisés. Outra
hipótese levantada é de que um tsunami tenha feito as águas se retraírem e voltarem rapidamente, mas nada foi comprovado. [BBC]

Pessoas religiosas são mais felizes – entenda porque

Já faz um tempo que os cientistas sabem que as pessoas religiosas são mais satisfeitas com suas vidas do que os não crentes. Agora, um novo estudo descobriu que não é o relacionamento com Deus que traz essa satisfação, mas sim os laços mais estreitos com as pessoas.

Segundo os pesquisadores, a satisfação com a vida é quase inteiramente sobre o aspecto social da religião, ao invés do aspecto espiritual e teológico. As pessoas estão mais satisfeitas com suas vidas quando vão à igreja porque constroem uma rede social dentro de sua congregação.

Os resultados se aplicam aos católicos, protestantes e evangélicos. O número de judeus, mórmons, muçulmanos e pessoas de outras religiões entrevistadas foi pequeno demais para se tirar conclusões sobre essas populações.

Os estudos anteriores que descobriram uma ligação entre religião e satisfação com a vida não responderam a seguinte questão: a religião torna as pessoas felizes, ou pessoas felizes se tornam religiosas? E se a religião é a causa da satisfação com a vida, o que é responsável: a espiritualidade, as relações sociais, ou algum outro aspecto da religião?

Os pesquisadores abordaram essas duas questões no estudo recente. Em 2006, eles contataram uma amostra nacionalmente representativa de 3.108 adultos americanos por telefone, e pediram que eles respondessem perguntas sobre suas atividades religiosas, convicções e redes sociais. Em 2007, eles ligaram para o mesmo grupo e 1.915 deles responderam as mesmas perguntas novamente.

As pesquisas mostraram que, em todos os credos, as pessoas religiosas são mais satisfeitas do que as pessoas não-religiosas. Segundo os dados, cerca de 28% das pessoas que participam de cultos religiosos semanais estavam extremamente satisfeitas com as suas vidas, em comparação com 19,6% das pessoas que nunca frequentaram cultos.

Mas a satisfação não foi atribuída a fatores como a oração individual, a força da crença, ou sentimentos subjetivos de amor a Deus ou a sua presença. Em vez disso, a satisfação foi vinculada ao número de amigos que as pessoas tinham em sua congregação religiosa. Pessoas com mais de 10 amigos em sua congregação estavam quase duas vezes mais satisfeitas com a vida do que pessoas sem amigos em sua congregação.

O estudo sugere um nexo de causalidade entre a religião e a satisfação com a vida: pessoas que tinham começado a ir à igreja com mais frequência entre 2006 e 2007 tornaram-se mais felizes. Novamente, a felicidade era explicada totalmente por um aumento nas amizades feitas durante os cultos.

A conclusão dos pesquisadores é que o fato de encontrar um grupo de amigos íntimos em uma base regular, e participar de certas atividades que são significativas para todos, faz com que esse grupo partilhe certa identidade social, um sentimento de pertencer a uma comunidade de fé moral. Esse sentimento parece ser a chave para a relação entre ir à igreja e estar satisfeito com a sua vida.

Embora um maior número de amizades também tenha sido associado à satisfação com a vida, as amizades de igreja pareciam dar ainda mais satisfação. Uma pesquisa adicional também descobriu que a propensão religiosa para a caridade e o voluntariado se conecta com as amizades do meio religioso.

Teoricamente, estar em um grupo de amigos que não tenha a ver com a igreja, mas que se conheça há muito tempo e que se engaje em atividades significativas, compartilhando uma identidade social, também pode aumentar a satisfação com a vida. E na prática? Para responder a essa pergunta, os pesquisadores planejam realizar uma terceira rodada de pesquisas com o mesmo grupo de participantes em 2011, para recolher dados sobre esse tipo de amizade.[LiveScience]

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