sábado, 15 de setembro de 2012

Manchas em estátua de Cristo provocam peregrinação


Manchas em estátua de Jesus provocam peregrinação
Padres afirmam ser tinta a mancha vermelha encontrada em estátua de Jesus


Antes da descoberta, os peregrinos estavam atribuindo o "sangue" a um milagre. Muitos disseram ter visto o "sangue" escorrer da coroa de espinhos. Fiéis chegaram a fazer vigília em torno da estátua para que autoridades religiosas certificassem o "milagre".


Alguém passou um lenço no rosto da estátua e viu que se tratava de um vermelho escuro. Foi o bastante para que a notícia de que o Cristo estava sangrando se espalhasse rapidamente em toda a região e logo o local foi cercado por pessoas desejosas de testemunhar o milagre e rezar. (Blog do Paulo Lopes)

Quando os padres revelaram a ação dos vândalos, houve grande decepção.

"Fizemos testes e temos 100% de certeza de que não é sangue, é tinta. Foi claramente trabalho de brincalhões", disse o padre Jan Kutyna, da paróquia local, de acordo com o "Austrian Times".

A polícia está procurando os autores do vandalismo.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

As 10 musicas gospel mais tocadas em 2012


terça-feira, 31 de julho de 2012

Ex-travesti que hoje é pastor em MT diz que 'Achava impossível mudar'


'Achava impossível mudar', diz ex-travesti que hoje é pastor em MT 
Acompanhado da mulher e do filho de 1 ano, o pastor evangélico Joide Miranda, de 47 anos, que até os 26 era travesti, afirma que é possível deixar de ser homossexual. A partir de sua experiência pessoal, ele decidiu ajudar quem quer voltar a ser hétero, por meio da Associação Brasileira de ex-Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABexLGBTTs). "A homossexualidade é um vício que, muitas vezes, vem desde a infância. Achava que era impossível mudar, mas é uma conduta que pode ser desaprendida", diz o pastor.

O trabalho da associação vai contra a posição do Conselho Federal de Psicologia (CFP), que orienta profissionais da área a não colaborar com serviços que ofereçam tratamento e cura para homossexualidade e não reforçem preconceitos sociais já existentes em relação ao tema.

Joide Miranda, que aos 14 anos assumiu a homossexualidade e agora se diz "completamente restaurado", pontua que o trabalho que desenvolve busca a cura e a mudança a partir da espiritualidade e da experiência de vida dele, embora avalie que a psicologia seria importante nesse processo. "Aqueles que querem deixar o estado da homossexualidade dizem que me veêm como referência", afirma o pastor, que depois da mudança retirou as próteses de silicone dos seios e o silicone industrializado dos quadris.

Ele explica que a entidade, que foi regulamentada em novembro do ano passado, dá suporte emocional a pessoas de vários lugares, inclusive do Japão, Espanha e França. Até hoje, segundo ele, mais de 500 homossexuais o procuraram. O pastor diz que os maiores motivos alegados para querer deixar a homossexualidade são a solidão e a insatisfação. "Fazemos acompanhamento por telefone, mas pretendemos abrir uma casa de apoio, uma espécie de albergue, para podermos auxiliá-los melhor", conta o pastor, que mora em Cuiabá com a família.

Um dos pilares da associação, segundo ele, é a estruturação familiar. Para o pastor, a desordem familiar tem grande parcela de responsabilidade nos casos de homossexualidade. Ele diz alertar os pais durante as palestras que ministra para que se atentem sobre o comportamento dos filhos, de modo que atuem de forma preventiva. "Um dos maiores fatores que contribuem para a homossexualidade são os abusos sexuais e a ausência de limites para as crianças", enfatiza, ao relatar que, aos 6 anos, foi abusado por um vizinho.

Além dos próprios homossexuais, Joide diz receber inúmeros telefonemas de mães que não concordam com a orientação sexual dos filhos. Ele diz que muitas delas pedem para conversar com a mãe dele, que, após muita insistência, conseguiu fazer com que ele fosse para a igreja. Antes disso, o ex-travesti morou em vários países, entre eles Itália e França, onde se prostituía.

Ele cita dois casos de ex-gays que teriam se tornado heterossexuais depois de receberem acompanhamento através da associação. Um deles na França, que morava com outro homem e hoje já está casado com uma mulher.

Outro é o caso de um ex-travesti do Maranhão, que colocou silicone até nos lábios e agora é missionário de uma igreja evangélica. "Quando a pessoa resolve mudar, o interior está todo bagunçado e demora algum tempo para mudar completamente, inclusive os trejeitos femininos", explica.



Casamento

No caso de Joide, a mulher Édna, que hoje o acompanha nas palestras em que dá o seu testemunho, foi quem o ajudou. "Falava para ele que não era para colocar a mão na cintura, nem cruzar as pernas como mulher", disse. Ela, no entanto, faz questão de enfatizar que se casou com um heterossexual e que nunca duvidou da mudança do marido. "Antes achava que gay era sempre gay, mas depois que o conheci mudei esse conceito. Não me importo em falar sobre o passado dele, pois falo de alguém que não existe mais", afirma.

Casada há 14 anos com Joide, Édna conta que os dois eram empresários e deixaram os negócios para ajudar as pessoas que pretendem deixar de ser homossexuais. "Só fazemos isso para que a nossa história possa ajudar outras pessoas". Ela conta que no início do relacionamento enfrentou certo preconceito por parte daqueles que não acreditavam na mudança de Joide.

No entanto, os dois afirmaram que o casamento não pode servir como uma "fuga". Antes de conhecer a mulher, o pastor disse não ter sentido atração por nenhuma outra pessoa do sexo oposto. "Tive tudo que um travesti sonha, como glamour e dinheiro, mas não era feliz. Sentia um vazio muito grande dentro de mim. Era uma vida de hipocrisia", recorda Joide, ao se dizer realizado hoje com a mulher e o filho, que foi adotado porque Édna não conseguia engravidar.

Fonte: G1

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Operação 'Deus tá vendo': policial foi vítima de golpe dos pastores

Operação 'Deus tá vendo': policial foi vítima de golpe dos pastores

Cinco pastores evangélicos ligados à igreja Assembleia de Deus foram presos em três Estados na quarta-feira, suspeitos de aplicar golpes de venda de veículos muito abaixo do valor. Segundo a Polícia Civil do Rio Grande do Sul, 40 pessoas foram lesadas, entre elas um policial de Veranópolis, cidade gaúcha que comandou operação, intitulada 'Deus tá vendo'.

Após 11 meses de investigações, a polícia prendeu dois suspeitos em Itajaí (SC), dois em São Gonçalo (RJ) e um em Ponta Grossa (PR). Uma mulher ainda segue foragida. De acordo com o delegado Álvaro Becker, os estelionatários enganavam as vítimas dizendo que os automóveis eram apreendidos pela Receita Federal em Foz do Iguaçu e doados à Assembleia de Deus para angariar recursos. "Uma Chevrolet Captiva, por exemplo, que custa R$ 90 mil, era vendida por R$ 30 mil", revela Becker, que presidiu o inquérito.
“Estou convencido de que esse grupo apenas usava a ligação que têm com a igreja para conquistar a confiança das vítimas”, afirma o delegado.
O lucro obtido pela quadrilha somente no Rio Grande do Sul chega a R$ 1,2 milhão. De acordo com o delegado, eram oferecidos carros, caminhões e até ônibus. Os veículos, no entanto, nunca eram entregues. Para enganar as vítimas, uma mulher identificada como Andreia, que segundo a polícia era a mentora do esquema, se passava por promotora e juíza e levava documentos que comprovariam a legalidade do negócio. A mulher, que seria amiga de um pastor, já respondeu por estelionato.

O esquema começou em 2010 no Rio de Janeiro e se ramificou nos outros Estados após Andreia fazer contatos com os demais pastores. Segundo o delegado Becker, o dinheiro era depositado na conta de laranjas e receptado na cidade de São Gonçalo, no Rio de Janeiro.

Os cinco pastores estão em prisão temporária. Eles responderão pelos crimes de estelionato e formação de quadrilha.

Terra

sábado, 2 de junho de 2012

Pastor das sete mulheres: Ignorante ou um fanfarrão do sexo?


Pastor das sete mulheres: Ignorante ou um fanfarrão do sexo?


Video: Pastor Pedreiro que adultera baseando-se na Bíblia

Pastor do ES prega que cada homem deve ter sete mulheres
Baseado nas palavras da Bíblia, o pastor Justino Apolinário de Oliveira, 50, que atua em Vila Nova de Colares, no Espírito Santo, defende que cada homem possa ter sete mulheres.
O pastor, que pertence à pequena igreja conhecida como Tabernáculo, cita uma passagem bíblica, do profeta Isaías, para defender a prática. Em entrevista ao jornal "A Tribuna", Oliveira afirmou que já manteve relações extraconjugais após uma suposta revelação que lhe veio durante um sonho. "Só liguei e disse: 'Olha, estou vendo desse jeito, você aceita?' Se aceitar, vou até seu pai para conversar com ele'. E ela aceitou", lembrou Oliveira, que vive com esta nova companheira há quase três anos após sua ex-mulher o abandonar.

Trocas

Uma dona-de-casa de 24 anos, que mora em Vila Nova de Colares e segue a doutrina da mesma igreja, admitiu que teve relações sexuais com o pastor.

Casada há sete anos e mãe de quatro filhos, ela contou à reportagem de "A Tribuna" que seu marido concordou e o pastor teria mandado duas mulheres para o companheiro dela "não ficar sozinho".

Ela disse que dormiu na mesma cama com o pastor e sua mulher, mas que nos momentos íntimos os dois ficavam sozinhos. "Não senti prazer. Fui tudo pelo espírito. Foi de Deus", disse a dona-de-casa.

Pela cidade, alguns fiéis discordaram da suposta troca de casais e abandonaram a igreja. Um deles foi o porteiro Carlos Robson dos Santos, 46: "Ele dizia que estava tudo na Bíblia. Falava, ainda, que os homens tinham que ter sete mulheres virgens ou viúvas", contou.

Passagens da Bíblia
O relacionamento do homem com mais de uma mulher aparece em trechos do Velho Testamento. Mas pastores alertam que a interpretação deve levar em conta o contexto histórico e cultural das épocas.

O presidente da Associação de Pastores Evangélicos de Vitória, Abílio Rodrigues, condena a prática. "Quando se fala em sete mulheres para cada homem, no livro de Isaías, é uma profecia específica para o povo de Israel, que iria viver um tempo de guerra, em que não haveria homens para casarem com as mulheres. Não se pode firmar uma doutrina em cima disso. O apóstolo Paulo explica que o pastor tem que ser marido de uma só mulher", afirmou.

Texto reproduzido integralmente do UOL NOTÍCIAS

sábado, 26 de maio de 2012

Pastor da Assembleia de Deus cobra atestado mental de candidatos

Pastor Oscar Domingos de Moura, da Igreja Assembleia de Deus - Eduardo Fachetti
Pastor Oscar: consulta ao SPC e ao Serasa
Passado a limpo
“Orientamos os irmãos a escolherem alguém que a gente já conhece a família, o passado  e os valores. Se a família dele não for boa, não pode representar o povo”
Oscar de Moura, presidente da Cadeeso


Está no Velho Testamento: não roubarás, não matarás, honrarás pai e mãe. E em tempos de campanha eleitoral, como a que começa no mês que vem, os líderes de igrejas evangélicas acrescentam um mandamento aos fiéis: não votarás em ficha-suja. Para garantir a escolha de bons políticos, os pastores querem saber se os candidatos devem no comércio, se têm boa vida familiar e até mesmo se a saúde mental está em dia.

À frente da Convenção das Assembleias de Deus no Estado (Cadeeso), o pastor Oscar Domingos de Moura é um dos que defendem a orientação aos fiéis. O líder evangélico comanda um rebanho de aproximadamente 350 mil fiéis, distribuídos em cerca de mil templos. A ordem é clara: os pastores têm autonomia para indicar ou vetar nomes.

"A gente sempre orienta os irmãos a escolherem o melhor. Temos um conselho político formado por cinco pastores, que sabatinam os candidatos que nos pedem apoio", explicou o pastor Oscar. Nessa sabatina, o conselho da Assembleia de Deus pede ao candidato que apresente certidão de casamento, nada-consta no Serasa e no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) e uma declaração médica comprovando não ser portador de desvio mental.

"Uma pessoa com desvio pode fazer uma besteira. Se está com nome sujo, como será capaz de administrar um município?", questionou.

Orientação

Na opinião do pastor Oliveira de Araújo, da 1ª Igreja Batista de Vitória, o eleitor evangélico deve pesquisar as ideologias, os valores morais e espirituais defendidos pelos candidatos. Ele diz, entretanto, que não é papel da liderança religiosa indicar candidatos aos fiéis e que, com base na fundamentação bíblica, cada um deve escolher em quem votar, sem interferência.

"Na minha igreja, a orientação que dou não é de nomes, mas de critérios que devemos levar em conta na hora de votar. A gente está cansado de ver candidato que diz uma coisa e depois faz outra, e pelo menos agora, com a Lei da Ficha Limpa, há uma expectativa de que haja uma purificação deste triste quadro da política", afirmou Oliveira.

foto: Nestor Muller

Abílio aconselha candidato sem vocação a desistir

Propostas
“É preciso olhar o que o candidato já fez em favor da sociedade e se o plano de governo é executável. Não dá para escolher uma peça de ficção que não  sai do papel”
Abílio Rodrigues, Igreja Batista da Restauração

Também é comum que políticos procurem a religião para se aconselharem e pedir bênção. "Apenas um pré-candidato de Vitória não veio conversar comigo este ano. Procuro saber dos projetos, no que creem. Formo minha opinião e, com base nisso, posso dizer às pessoas quem considero melhor. Trata-se de uma opinião particular, não uma indicação religiosa", frisou o pastor Oliveira.

Na base da orientação aos que querem ocupar prefeituras e câmaras a partir de 2013, o pastor Abílio Rodrigues, da Igreja Batista da Restauração, de Jardim da Penha, preza pela sinceridade: "Se um membro da minha igreja se candidatar mas não tiver capacidade, não voto nele. E ainda chamo no canto e digo: ‘Irmão, esse negócio não é pra você’".


Respeito

O mesmo pensa o pastor Jair de Oliveira, presidente estadual da Igreja Cristo Verdade que Liberta. Ele já foi vereador na Capital entre 1992 e 1996, ocupou cargo na Assembleia Legislativa e na Câmara Federal, mas diz que abandonou a política.
foto: Thiago Guimarães/Secom

Pré-candidatos de Vitória já procuraram Oliveira

Voto religioso
“Queremos candidatos com princípios bíblicos, mesmo os que não são evangélicos. Não defendemos que evangélico só vote em evangélico”
Oliveira de Araújo, 1ª igreja batista

"É preciso votar em uma pessoa que veja a política como sacerdócio, que esteja lá para servir e não para ser servido. Mas não é nosso papel indicar nomes", frisou Jair.

Para o doutor em Teologia Osvaldo Ribeiro, professor da Faculdade Unida de Vitória, a relação entre fé e religião deve ser cautelosa.

"Quando um religioso utiliza fiéis para o ativismo político, corre-se o risco da manipulação da consciência e a imposição de vontades.

É um pecado se servir da posição, seja em culto, seja na televisão, para fazer política", critica.

Segundo o especialista, nada impede que o religioso exerça a política, mas é preciso ter cuidado para que o debate, que deve se ater a questões sociais, não se transforme em "embate dogmático".

Eduardo Fachetti - A Gazeta

domingo, 13 de maio de 2012

Orgulho de ser ateu. Movimento cresce na internet e ganha mais adeptos


Foto: Ricardo Medeiros / GZ
Wagner criou um blog, o "Bar do ateu",
 para combater o preconceito contra
quem não acredita em Deus
Católico, espírita, presbiteriano e ateu. Em quatro décadas, Wagner Kirmse Caldas, 42 anos, manteve apenas uma única característica inalterada: a inquietação. E isso começou cedo, quando perguntou sobre os dinossauros à professora de catequese, passando pelos questionamentos aos livros de Chico Xavier e pelos estudos teológicos – no desejo de virar pastor. Em todos os momentos, ele sempre buscou respostas. Até que aos 33 anos a inquietude era tanta que superou sua fé, e, aos 38, mostrou que ele não acreditava mais em Deus.

"Contei a amigos e à família. Mas foi um choque. Comecei a descobrir que a sociedade é preconceituosa com os ateus. E isso foi uma motivação para criar o blog (Bar do Ateu)", afirma. "Queria mostrar que ateus são cidadãos como qualquer outro. Temos moral e ética e seguimos as regras da sociedade".

Defesa

Para se defender, eles passaram a fazer barulho. A mobilização coletiva na internet, principalmente em mídias e redes sociais, como blogs e páginas do Facebook, só faz crescer. É uma busca pelo orgulho de ser ateu, mesmo que ainda não se saiba o número exato de quantos existem no Brasil.

A movimentação é uma necessidade, defende o presidente da Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos (Atea), Daniel Sottomaior. "O ateu é a última minoria da sociedade. Já faz parte do saber comum: se a sociedade vai mal, em valores e violência, a solução é apelar para a religião. O preconceito é tanto que, no dicionário, ser ateu é ser ímpio: uma pessoa sem fé, e maldosa", diz ele.

Na página da Atea – a associação foi criada há quatro anos – já são mais de 125 mil seguidores. O grupo tem cerca de 5 mil associados. Para o presidente da entidade, esse é um dos caminhos que fará os ateus assumirem sem medo a sua ideologia.

Apesar da mobilização, a onda de orgulho ateu não levanta bandeiras em busca da conversão. "Os espaços servem mais para tirar dúvidas e mostrar aos ateus, que ainda se sentem isolados, que eles não são os únicos no mundo", defende Wagner Caldas.

O seu blog serve como uma terapia coletiva. "Queremos aproximar os ateus e diminuir o grau de estranheza que a sociedade tem conosco. Ser ateu não é uma escolha, é um processo de conclusões pessoais que indicam ser bem provável não existir deuses nem divindades. É um caminho de consciência", diz o blogueiro.





Barreira

Informe-se

Blog:
 bardoateu.blogspot.com.br
Atea: www.atea.org.br
Ateus.net: http://ateus.net
Portal: www.portalateu.com
Grupo: livrespensadores.org/
Ideia: projeto.livrespensadores.org

O processo não é simples. O grupo Atea recebe diariamente histórias de pessoas que passaram por situações constrangedoras por serem ateus. "Recentemente denunciamos escolas que obrigam os alunos a rezarem nos intervalos das aulas. Tem, ainda, o caso de uma pessoa que, no primeiro dia de trabalho assumiu ser ateu e, no segundo dia, foi demitida", diz Daniel.

Há até casos de juízes que incluíram na decisão de soltura do preso uma visita obrigatória à igreja, sugerindo horário e local do culto. "Isso é o máximo do absurdo. Não se respeita nem a escolha religiosa de um detento, quanto mais a liberdade de não se ter uma religião", lamenta.

Apesar do preconceito, eles garantem que nada supera a sensação de ser quem você realmente é. "O melhor de ser ateu é poder ser um livre pensador, sem restrições dogmáticas e de consciência tranquila. É ter o senso crítico sobre tudo, e de ser feliz da sua forma", diz Wagner Caldas.
Análise

"Há mais estranhamento"

A organização e a mobilização dos ateus para serem reconhecidos perante a sociedade constitui um movimento natural numa sociedade plural e declaradamente democrática. Também é natural que declarar-se ateu em uma sociedade caracterizada historicamente como cristã cause estranheza por quem não compartilha tal convicção. A tolerância e a compreensão mútuas, de ateus e religiosos, são fundamentais para a convivência pacífica. No entanto, não concordo com o discurso da vitimização de quaisquer grupos que se consideram excluídos na sociedade. O movimento ou grupo deve se firmar pela solidez e relevância de sua mensagem, não por se colocar como vítima de um preconceito social. Para se consolidar, o movimento dos ateus deve mostrar as razões de sua significância social, o que o Cristianismo faz há mais de 2 mil anos. No Brasil, percebo que há bem mais estranhamento do que preconceito em relação à quem se declara ateu, dada a tradição cultural e cristã, do país.

Vitor Nunes Rosa, teólogo, professor da Faesa e especialista em religião de A GAZETA




Maurílio Mendonça

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