sábado, 25 de fevereiro de 2012

A diferença de crenças e práticas das principais religiões

Entenda o mundo da fé: a diferença de crenças e práticas das principais religiões

Em meio a tantos cultos e crenças, é comum confundir divisões e ramificações de cada religião. Especialistas explicam o que prega cada uma dela e os principais termos usados pelos fiéis

foto: Divulgação

Ter uma religião é um fato comum aos humanos desde o princípio da espécie
No Brasil existem aproximadamente 125 milhões de católicos, 18 milhões de pentecostais e cerca de 8,5 milhões de protestantes. Outras religiões como Islamismo, Judaísmo, Budismo, Espiritismo e mais uma série de credos e cultos somam 5,4 milhões de fiéis. Antes de fechar essa conta, é preciso dizer que aqueles que alegam não ter nenhum credo chegam a 12 milhões em todo o país.
Com tantos cultos, missas e todo tipo de encontro que reúna um grupo determinado a cultivar uma fé é comum fazer confusão. Por exemplo, poucos conhecem a diferença entre protestantes e pentecostais. Ou ainda, o que difere o Judaísmo, uma das primeiras religiões do mundo, do Cristianismo? As dúvidas não param. É possível saber de cor o nome das 16 entidades cultuadas pelos seguidores do Candomblé? E mais, quando surgiu o Espiritismo? Quais são suas características centrais?

Para responder a essas e mais algumas perguntas de quem tem curiosidade de conhecer o mundo da fé, a reportagem do portal Gazeta Online ouviu uma série de teólogos, babalorixás, espíritas, judeus, filósofos e consultou ainda a literatura da área para apresentar para o leitor um pequeno dicionário com alguns dos termos usados pelas religiões mais cultuadas no mundo.

Religião e prática religiosa
Mas antes de entrar de vez no glossário (veja arte no fim da matéria) é preciso recorrer aos livros para entender o significado da necessidade do homem em buscar apoio divino. Em “O Livro das Religiões”, de Vitor Hellern, Henry Notaker e Jostein Gaarder, os autores definem o termo religião da seguinte maneira: “é o batismo numa igreja Cristã. É a adoração num templo budista. São os judeus com o rolo da Torá diante do Muro das Lamentações em Jerusalém. São os peregrinos se reunindo diante da Caaba em Meca”, resume a publicação logo na página de abertura.
foto: Agência Estado

Baianas prestam homenagem a Iemanjá em Salvador
Professor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), doutor em filosofia e especialista em religião e espiritualidade, Marcelo Martins explica a prática religiosa por meio da interpretação dos credos baseados em escrituras. “O que é referenciado em uma suposta palavra de Deus se coloca dentro das comunidades como uma literatura santa, desta forma ela é diferenciada das demais. Os grupos confessam que essa palavra vem de Deus, assim a interpretação é uma forma de mostrar que a palavra é atual. Essa necessidade existe para que os fiéis se identifiquem com o texto e o compreendam”, explica o professor.
A interpretação das escrituras não é a única forma de exercer a fé em determinada religião. Existem credos, como o Candomblé, por exemplo, que são basicamente orais. E para explicar melhor o conceito de crença, é necessário mais uma vez recorrer à publicação de Heller, Notaker e Gaarder. “O crente tem ideias bem definidas de como a humanidade e o mundo vieram a existir, sobre a divindade e o sentido da vida. Esse é o repertório de ideias da religião, que se expressam por cerimônias religiosas (ritos) e pela arte, mas, em primeiro lugar, pela linguagem. Tais expressões linguísticas podem ser escrituras sagradas, credos, doutrinas ou mitos”,  diz trecho do Livro das Religiões.
Ainda de acordo com o professor Vitor Rosa, a palavra religião significa religar. “Ligar as pessoas a Deus e entre si”, explica. O teólogo destaca que desde os tempos mais remotos existem registros do elemento religioso no ser humano. “A arte nas cavernas, o sepultamento e a busca do sobrenatural como defesa



Leonardo Quarto - gazeta online


terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Publicidade enganosa? Igrejas estão proibidas de fazer anúncios dizendo “Deus pode curar você”


Jesus pode curar qualquer doença? A Bíblia diz que sim, mas a entidade reguladora da publicidade na Grã-Bretanha está impedindo anúncios que proclamam o poder de Deus.

A Advertising Standards Authority, ou ASA, disse a missão Healing on the Streets [Cura nas ruas] (HOTS) está fazendo alegações falsas sobre a capacidade de curar pessoas doentes pela fé. O ASA está forçando a HOTS mudar seu slogan de “Deus pode curar você” para “Acreditamos que Deus pode curar você”.

“Nós pedimos que o HOTS não faça afirmações explícitas ou implícitas que, ao receber uma oração de seus voluntários, as pessoas podem ser curadas”, explicou o ASA, em um comunicado. ”Também dissemos para eles não citarem em seus anúncios doenças  que necessitam de supervisão médica… [os anúncios] poderiam estimular falsas esperanças. Eles foram irresponsáveis”.

A tentativa de impedir a propaganda da missão ocorreu após a inglesa Hayley Stevens fazer uma queixa formal no órgão.
“Fiquei bastante preocupada com as afirmações que eles fazem sobre doenças e problemas de saúde que este grupo parecia querer resolver apenas com uma oração”, escreveu ela em seu blog.

O motivo seria um folheto distribuído pela missão que afirma: “Deus pode ​​te curar de qualquer doença: úlceras, depressão, alergias, fibromialgia, asma, paralisia, fobias, distúrbios do sono”.

A missão HOTS planeja apelar à decisão. O grupo considera “estranho” que um órgão publicitário tente impedi-los de propagar a fé cristã.

As regras sobre publicidade do Reino Unido estão entre as mais duras do mundo.  ”O ASA ainda exigiu que assinássemos um documento concordando em não afirmar o que cremos. Isso é inaceitável, pois seria absurdo eles pedirem a qualquer grupo de não fizesse declarações sobre suas crenças religiosas ou filosóficas”, disse um representante da HOTS. ”Reconhecendo algumas das preocupações da ASA, mas há certas coisas que não podemos concordar, incluindo a proibição de expressarmos nossas crenças”.

Traduzido e adaptado de Charisma News e Religion News

noticias.gospelprime.com.br

domingo, 11 de dezembro de 2011

Bíblia a um clique: a moda é acessar em tablets e smartphones

A imagem que se tem de que todo evangélico carrega uma Bíblia debaixo do braço está mudando. Nos cultos, a frase "abra a Bíblia" também começou a dar lugar a uma outra, mais moderna. "Agora eu digo ?acesse a Bíblia? quando quero indicar uma leitura", diz o pastor da Primeira Igreja Batista em Bento Ferreira, em Vitória, Washington Vianna, em referência ao uso crescente de tablets e smartphones pelos fiéis.

O livro mais tradicional e lido no mundo não para de se reinventar, e os fiéis encontram formas cada vez mais inovadoras de propagá-lo. Celebrado hoje, o Dia da Bíblia foi criado há quase 500 anos, justamente para divulgar a leitura em uma época de liberdade religiosa restrita.
foto: Carlos Alberto Silva

Fiéis da 1ª Igreja Batista de Bento Ferreira usam a tecnologia no culto e em casa

Interação
Como a ajuda da internet, hoje é possível ter acesso a várias versões da Bíblia ao mesmo tempo, em suportes variados, além de ver imagens e mapas dos locais citados. Alguns programas oferecem até leitura com comentários de pessoas do mundo todo a respeito dos versículos, onde também é possível postar os seus próprios comentários e debater os assuntos citados.

Recursos que fazem cada vez mais parte da vida dos fiéis. "Dá até para selecionar a opção que permite ouvir a leitura enquanto você faz uma outra atividade", diz o servidor público José Eduardo Souza Oliveira, 44 anos, que não abre mais mão da Bíblia no seu tablet.

Assim como ele, Ângela Fonseca, 37 anos, Aécio Alves Sena, 23, e Samuel Paganoto, 36, estão deixando cada vez mais a Bíblia em papel em casa. "Acompanhar a leitura do culto pelo Iphone é mais prático", diz Ângela.

Tipos


E não é só em formas de acesso que a Bíblia cresce. Novos "tipos" de Bíblia também não param de ser inventados. O gerente de Desenvolvimento Institucional da Sociedade Bíblica do Brasil, Mário Rost, diz que a entidade possui até uma versão a prova d?água. "Hoje, não basta traduzir, produzir e distribuir. É preciso atender às necessidades de cada público", explica.

Para o pároco da Igreja São Pedro Apóstolo, em Jacaraípe, na Serra, Kelder José Brandão Figueira, toda forma de divulgação da Bíblia é muito bem-vinda. "Só é preciso ter cuidado com as interpretações que se faz dela. Buscar o conhecimento teológico é sempre importante", ressalta.

"As novas tecnologias tornam a Bíblia ainda mais portátil. Atende à necessidade de todo mundo, em qualquer lugar, e a toda hora. Só temos a ganhar"

foto: Carlos Alberto Silva
Vitória - Angela Fonseca, 37, Aécio Alves Sena, 23, o pastor Washington Vianna, Samuel Paganoto, 36, e José Souza Oliveira, 44, são membros da 1º Igreja Batista de Bento Ferreira. Modernos, usam a tecnologia do celular, tablets e notebooks para ler a Bíblia durante os cultos ou em casa - Editoria: Cidades - Foto: Carlos Alberto Silva
Eles não abrem mão da Bíblia on line

Os membros da Igreja Missão Evangélica da Praia da Costa Bárbara Borges, 19 anos, Carla Paiva, 28, e Fábio Hertel, 43 anos, usam versões diferentes da Bíblia, de acordo com as suas atividades profissionais e interesses.
Católico celebra livro em setembroA Igreja Católica celebra a Bíblia durante o mês de setembro - quando se comemora o Dia de São Jerônimo (30 de setembro). O filósofo e teólogo foi o primeiro a traduzir o livro sagrado do grego para o latim. Atualmente, cerca de oito milhões de Bíblias são produzidas e distribuídas no Brasil, por ano.

Vale Ver

Para baixar

Aplicativos

O Holy Bible é um programa que permite acessar a Bíblia em diversas versões, ler e postar comentários sobre os versículos e ouvir a Bíblia. Pode ser usado baixado para smartphones e tablets

Sites
Bíblia Online


Diversos sites disponibilizam versões da Bíblia para acessar online, como o bibliaonline.com.br e o www.sbb.org.br

Curiosidade
A mais antiga

As páginas da primeira Bíblia impressa no mundo podem ser conhecidas no site www.hrc.utexas.edu/
exhibitions/permanent/gutenberg/project/


"É muito mais prático ler a Bíblia no computador e ainda há a vantagem de poder acessar várias versões"


P.riscilla T.hompson


A GAZETA




quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Coisa do diabo? Nigeriana afirma ter desenvolvido um "pênis" quando estava grávida de cinco meses.


Nigeriana afirma ter desenvolvido um "pênis" quando estava grávida

Uma nigeriana afirma ter desenvolvido um "pênis" quando estava grávida de cinco meses.

Zuratu Mohammed, 48 anos, conta que seu martírio começou quando se casou com um policial contra a vontade de seu pai.

Logo no começo do casamento ela ficou grávida e notou que um órgão sexual masculino estava se desenvolvendo ao lado de sua bexiga.

Zuratu fez de tudo para esconder seu "pênis", mas o órgão foi descoberto na hora do parto. Além da vergonha, a mulher tinha de lidar com o fato de urinar durante o sono.

Com vergonha, Zuratu abandonou o marido e tentou voltar para a casa de seu pai, que exigiu que a nigeriana devolvesse o filho.

Segundo a mulher, o problema só desapareceu em uma igreja, da mesma maneira misteriosa que surgiu cerca de 30 anos antes. Eu, hein?

http://noticias.uol.com.br/tabloide/tabloideanas/2011/11/22/nigeriana-afirma-ter-desenvolvido-um-penis-quando-estava-gravida.jhtm

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Pastor Silas Malafaia comenta reportagem “Cair no Espírito” da Record – Assista…

Conforme prometido pelo Pr. Sila em seu Twitter gravou um comentário em vídeo sobre, segundo ele a nova palhaçada do Bispo Edir Macedo. E ele discorre na Bíblia em alguns versículos para basear o seu comentário. Clique, leia e comente… Mais uma vez o desespero de Edir Macedo se aflora e ele volta a atacar o movimento pentecostal e a cantora Ana Paula Valadão, tentando denegrir e ridicularizar estas igrejas e, novamente, a cantora gospel. Neste domingo, o programa Domingo Espetacular, da TV Record, exibiu uma extensa reportagem sobre o tema “Cair no Espírito”, que causou grande polêmica e escandalizou espectadores de diversas religiões, inclusive denominações evangélicas.

Pastor Silas pede para que façamos como o povo de Bereia, em passagem que examinava tudo a luz da Palavra, tudo que era pregado a eles.

Confira o vídeo com o comentário na integra do Pr. Malafaia e comente:





Veja o vídeo citado pelo pastor – Malafaia e os neurônios de Macedo2:

post inforgospel.com.br – Com informação VerdadeGospel.com
Prática do 'Cair do Espírito' Gera Controvérsias, 'É um Fenômeno Natural' Diz Apologista

A prática de “cair no espírito”, presente em diversas igrejas evangélicas no Brasil e no mundo, descrita na série “Grandes Reportagens” do programa Domingo Espetacular, da Record provoca controvérsias entre os próprios evangélicos.

Enquanto alguns apoiam a iniciativa, justificando o “cair” como maneira de ficar em plena comunhão com o divino, outros condenam a prática, classificando-a como modismo teológico.


De acordo com o apologista Johnny T. Bernardo, fundador do Instituto de Pesquisas religiosas (INPR Brasil), a prática não é aceita de forma unânime nas igrejas adeptas do fenômeno e mesmo nas igrejas petencostais. “São características esporádicas, presentes em igrejas de pouca formação teológica e que supervalorizam o ‘místico’ e o ‘sobrenatural’”, diz.

Segundo o estudioso, muitas pessoas, tanto latinas como de origem anglo-saxônica são facilmente atraídas por modismos teológicos e religiões de poder. “São características individuais e que variam de igreja para igreja e de país para país”.

é possível encontrar por, exemplo, igrejas em Nova York que induzem seus membros ao “cair no espírito”, mas também outras que optam por uma liturgia mais leve, com ministração de louvor e estudo bíblico. “Trata-se, pois, de um fenômeno global, e não apenas regional”.

História

O “cair no espírito” é uma prática adaptada pelas igrejas em célula e sua origem está na visão de Bogotá (G12).

Segundo Bernardo, o fenômeno passou a ser visto também como uma demonstração de que o crente está em plena comunhão com o divino.

Uma das igrejas pioneiras na prática é a Comunidade Cristã do Aeroporto, de Toronto, Canadá que, além do “cair no espírito”, tornou-se mundialmente conhecida pela “unção do riso” – experiência segundo a qual o crente começa a rir descontroladamente, seguido pelo “cair no espírito”. Outro “fenômeno” é o dente de ouro, prática comum em algumas igrejas pentecostais brasileiras, durante a década de 80.

A unção de Toronto passou a ser usada nas chamadas “ministrações”, reuniões de êxtase “espiritual” induzida por ministradores – pastores ou líderes de células – em ocasião de congressos e encontros.

Um dos primeiros a introduzir a prática no Brasil foi o casal César e Cláudia Castelhanos, autores e líderes internacionais da igreja em células. Presentes no 1º Congresso Nacional de Igrejas em Células no Modelo dos 12, realizado em junho de 2000, em Sumaré, SP, o casal ministrou a unção de Toronto, diante dos quais diversas pessoas, entre pastores e líderes, foram ao chão.

O crescimento exponencial do Protestantismo, que chega atualmente a cerca em torno de 590 milhões de seguidores, produziu uma igreja com diversas faces e formas de atuação, explica o apologista.

“é um fenômeno natural, mas que precisa de acompanhamento bíblico e eclesiástico. Os casos de Paulo e João que subiram ao céu por meio de um arrebatamento são fatos bíblicos que comprovam a atuação divina sobre o homem.”, diz Bernardo.

O estudioso acredita que a forma como algumas igrejas interpretam tal fenômeno foge à reta ortodoxia e constitui-se num prejuízo ao Evangelho.

“A virtude do Espírito é dada à Igreja como uma forma de “dunamis” (poder, impulso) para que esta realize a obra de Deus (Atos 1.8). é mais um sinal interno do que externo.”, conclui Bernardo.


portuguese.christianpost.com

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Herodes. Quantas crianças teriam sido mortas por ele na época do nascimento de Cristo?

Quantas crianças teriam sido mortas por Herodes na época do nascimento de Cristo?
Cristo diante de Herodes. Pintura de Duccio Di Buoninsegna : Christ Before Herod 1308-11

Cerca de 20. Se você não entendeu a pergunta, não sabe quem foi Herodes e por que ele teria matado 20 crianças inocentes, aí vai uma explicação. Herodes era o governador da Judéia na época em que Jesus Cristo teria nascido. Ao receber a notícia de que o Messias teria vindo ao mundo na cidade de Belém, Herodes preferiu cortar o problema pela raiz antes que o tal salvador de fato se transformasse em um problema para ele. Foi então que ordenou que seus guardas matassem todos os meninos com menos de 2 anos que encontrassem na cidade de Belém e nos seus arredores. Claro que ninguém tem certeza de que isso realmente aconteceu, da mesma forma que não se tem certeza sobre os feitos de Jesus Cristo na Terra. De qualquer forma, supondo que o massacre dos bebês tenha acontecido, alguns historiadores tentam calcular qual seria a dimensão desse crime. O americano Raymond Brown, autor do livro O Nascimento do Messias, estima que a vila de Belém tinha cerca de mil habitantes na época e cerca de 20 se enquadravam nas características do menino Jesus, que, graças a um anjo, escapou da degola. Durante um sonho, o tal anjo cantou a bola para José, que, sem perder tempo, pegou sua esposa Maria e o menino Jesus e se mandou para o Egito. É difícil estimar qual seria a dimensão desse infanticídio hoje, mas se considerarmos a população atual da cidade de Belém, podemos fazer uma projeção. Dois milênios depois do nascimento de Jesus, a cidade continua com ares de vila, com 27 mil habitantes. Portanto, é provável que o número de meninos menores de 2 anos não chegue a 500 (considerando a mesma proporção da época de Herodes). Já seria uma chacina e tanto, mas o crime seria de fato catastrófico se considerássemos uma grande cidade como São Paulo, onde, segundo o último levantamento do IBGE, vivem 709 mil crianças com menos de 3 anos. Outro dado interessante: em 2003, segundo o Ministério da Saúde, 888 meninos com menos de 1 ano morreram na cidade de São Paulo, ou seja: em um ano, sem nenhuma catástrofe, morreram 44 vezes mais crianças do que na chacina de Herodes.

 por Artur Louback Lopes

domingo, 16 de outubro de 2011

A fé pelos olhos de uma criança. Pregadores mirins roubam a cena em igrejas evangélicas

O missionário Mateus Moraes de apenas 13 anos já rodou o Brasil e parte do mundo com seu trabalho

foto: Leonardo Quarto

Mateus Moras em pose de artista

Mateus Moraes é uma criança de 13 anos. Um garoto sério e compenetrado. Ao lado do pai, Juanez Moraes, usa com cuidado as palavras e cada gesto parece premeditado. Diferentemente da maioria dos meninos da sua idade, passa boa parte de seu tempo discursando. Como todo bom orador e apesar da pouca idade, tem a desenvoltura e a eloquência típicas de quem está acostumado a falar em público. A roupa, os acessórios e a forma como pede para ser fotografado indicam: Mateus, um pregador da igreja evangélica pentecostal Assembleia de Deus, é uma estrela.

O adolescente é um dos mais conhecidos pregadores-mirins do país, crianças que desde muito cedo assumem o púlpito de igrejas, geralmente lotadas, e realizam a pregação do culto como adultos. Entrevistas para ele não são um desafio. Em sua mais recente passagem pelo Estado, na última terça-feira (11), para um culto especial para o Dia das Crianças da Assembleia de Deus de Carapina, na Serra, responde a cada pergunta com propriedade e segurança. O jovem pregador não sabe quantas vezes já teve seu trabalho questionado, mas, para defendê-lo, possui argumentos na ponta da língua.

Mateus fez suas primeiras pregações aos seis anos de idade, na Assembleia de Deus de Madureira, um tradicional bairro do subúrbio do Rio de Janeiro. Hoje, apenas sete anos depois do início da carreira, o jovem missionário, como ele mesmo se define, faz em média 300 apresentações por ano em todo o Brasil e já conhece quatro países. Nos últimos meses, esteve nos Estados Unidos, na Europa e foi um dos personagens de um documentário do canal fechado National Geographic. Para o próximo ano, tem convites para ir ao Japão e a África do Sul.

Mateus não é o único que começou a pregar muito cedo. É só realizar uma rápida busca pela internet para encontrar uma série de vídeos com crianças pregadoras espalhadas por todo o mundo. Como exemplo podemos citar Adriana Andreassa, também da Assembleia de Deus, mas de Belém, e o americano Terry, considerado o pregador mais jovem do mundo. Veja o vídeo abaixo:


Talento e treino

foto: Leonardo Quarto

Mateus Moraes e o pai, Juanez, em momento de fé antes da pregação do jovem

Mateus manifestou disposição para pregar aos dois anos de idade. Segundo ele, o que faz hoje é um misto de talento e muito treino. Além do dom que diz ter recebido de Deus, ele conta que teve a orientação do pai e do pastor da igreja que frequenta em Madureira para desenvolver o trabalho.

O missionário afirma ainda que, sem o investimento necessário, não é possível sustentar nenhum talento. O investimento a que ele se refere foi feito pelos pais e resultou em um CD musical e em um número impreciso de cópias das pregações feitas pelo Brasil. "É importante acreditar no sonho e seguir. Não sei ao certo o número de CDs e DVDs. Acredito que tenho uns 40 DVDs de pregação", estima Mateus.

Mateus faz questão de destacar ainda a ajuda que recebeu do presidente da Assembleia de Deus de Madureira, o pastor Abne Ferreira. Foi ele quem acreditou em Mateus e incentivou o trabalho como pregador. Juanez Moraes, pai do missionário, vai além e compara o pastor ao treinador da Seleção Brasileira de 1958, Vicente Feola, que teve coragem de lançar Pelé, então com 17 anos e que depois se transformaria no nosso maior craque de futebol, na final da Copa do Mundo daquele ano.

Quanto custa?

As passagens, a hospedagem e a alimentação de Mateus e da família não saem de graça. Tudo é custeado pela congregação que convida o jovem pregador. Além destes custos, existe também uma "oferta", que as igrejas pagam a Mateus e ao pai - quantia que eles preferem não revelar. "Algumas vezes mandamos DVDs e eles vendem, mas geralmente somos agraciados por ofertas. Além dos gastos com hospedagem, alimentação e transporte. Não temos um valor fechado. Oferta é oferta, funciona como um presente", detalha o pai.

foto: Leonardo Quarto

Assembleia de Deus lotada nos dia das crianças momentos antes da pregação de Mateus Moraes

E a criança
?

Mateus garante que não deixa de fazer nada por causa da igreja, mas pondera que leva uma vida regrada. "Vou à escola, tenho amigos. Mas, quando a gente escolhe seguir o chamado de Deus, é claro que alguma coisa muda. Toda o dia a dia começa a mudar, inclusive a personalidade. Sempre que posso aproveito o máximo da minha infância", conta.

Nas horas vagas, joga videogame e futebol. Assim como faz nos púlpitos, com o microfone nas mãos, ele diz que no futebol joga de atacante e gosta de ir para cima dos adversários. O pequeno missionário não afirma porém que é bom de bola, diz que está aprendendo e treina toda semana na escolinha de futebol do Flamengo.

Além de ir ao futebol e frequentar a escola, onde devido às constantes viagens precisa de ajuda de professores particulares e dos amigos para não perder a matéria, Mateus dedica uma parte do dia ao estudo da Bíblia. Ele diz que pelo menos uma hora diária é exclusiva para estudar a palavra.

"Jesus falou que teríamos aflições, mas que era para termos bom ânimo"

foto: Leonardo Quarto

Mateus Moraes não teme críticas que pode receber pelo trabalho desenvolvido


E é citando a Bíblia que Mateus responde aos que apresentam algum preconceito ao seu trabalho ou mesmo não acreditam nele. Sobre a rejeição que sofre, apenas como missionário, Mateus destaca que como criança nunca passou por uma situação dessa. "Todos que têm uma chama de Deus vão ser rejeitados, vão passar por dificuldades. É assim. Existem pessoas que admiram meu trabalho e pessoas que não. Sempre vai haver um grupo que me rejeita. Mas temos que levantar a cabeça. Eu não ligo. Daqui a 10 anos vamos ver quem deu valor à vida e o que cada um construiu. Aos olhos do mundo, o que eu estou construindo pode parecer feio e bocó. Mas daqui a alguns anos vamos observar onde cada um está", defende.

Mateus também enfrenta a desconfiança em relação as suas reais intenções como pregador. "Aos que não acreditam em mim recomendo que leiam a Bíblia onde Deus diz que escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios e as coisas fracas para envergonhar os fortes. Diria a essas pessoas que não vou pagar por acusações que vierem contra mim. Diria também para lerem a Bíblia antes de me julgar. Até porque Jesus falou que da mesma forma que julgamos vamos ser julgados", explica.

Na igreja, Mateus emociona fiéis

Durante a pregação do Dia das Crianças, na Serra, Mateus era a atração principal e foi o último a falar com o público. Na pregação, assim como em outras apresentações, ele cativou os dois andares da igreja, completamente lotados de crianças e jovens. Confira abaixo, no vídeo, alguns momentos.






Uma das organizadoras do evento, Adriana Kurtt, diz que descobriu Mateus na internet. "Gostei da mensagem, da forma como fala e dai surgiu a ideia de chamar ele para pregar neste dia especial. Sempre trazíamos uma boneca, um adulto. Este ano resolvemos trazer uma pessoa diferente, mais ou menos da idade das crianças para falar de Jesus", explica.

Ao que parece, a atração agradou. O vendedor Ronei Soares relata que é muito interessante ver um adolescente falando a palavra de Deus desta forma. Ele diz também que não vê problemas em uma criança pregar da forma como ele prega. "Torço para que o senhor ilumine ele cada vez mais. Deus usa quem quer. Ele não escolhe, a obra é dele. O menino é apenas um instrumento utilizado, mas quem fala é o Senhor", acredita.

Para teólogo e pastor, moderação e experiência pesam contra Mateus

"Pregação é a exposição da escritura, é a palavra de Deus.
Como uma criança de oito, dez, anos vai conhecer a palavra de forma
suficiente para expor ela. Ou mesmo para ser um obreiro aprovado?
Acho que essa prática não deve ser recomendada na igreja", Hernandes
Dias Lopes, pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Vitória.

foto: Leonardo Quarto

No púbito da igreja, Mateus Moraes usa o microfone com desenvoltura

Mas a pregação, como se vê, não é unânime. Para o pastor Hernandes Dias Lopes, da primeira Igreja Presbiteriana de Vitória, e também diretor executivo da Liga para o Caminho (LPC), entidade evangélica nacional responsável por realizar uma série de programas de rádio e televisão religiosos, o caso é mais sério. Ele reconhece que pessoalmente nunca viu uma criança pregar ou assumir a responsabilidade por um culto, mas se diz preocupado com esse fato.

Hernandes explica que para usar a palavra é preciso conhecê-la e acredita que uma criança dificilmente possui essa experiência. "Na minha visão, uma criança de seis anos, por mais precoce que seja, não tem o conhecimento necessário para pregar. Ela pode até testemunhar, contar alguma experiência que tenha vivido, mas assumir a pregação é complicado", relata.

Já o teólogo e professor de Filosofia Vítor Rosa defende que a participação de crianças em atividades litúrgicas é positivo para a criação delas. Para ele, esta é uma forma de inserir os pequenos em um processo de formação ético e religioso mais profundo. "É fundamental quando as igrejas incentivam o trabalho das crianças nesse trabalho de evangelização", diz.

Contudo Rosa lembra que tudo deve ser feito com critério e que as atividades da igreja não podem sobrepor os afazeres naturais de uma criança. "É necessário ter uma justa medida para que a religião não gere uma sobrecarga de trabalho na vida deles. Isso deve ser planejado e programado. Temos que lembrar que essas pessoas não podem perder sua identidade como criança", explica.

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