sábado, 16 de julho de 2011

Igreja Universal - Bispo incentiva criança vender brinquedos e dar o dinheiro à igreja

Montagem com recortes dos trechos mais contundentes de vídeos denunciando os falsos religiosos que se dizem pastores e o que há de pior na rede mostrando a sacanagem que rola por detrás dos altares das igrejas que recolhem dízimos. Há sim pastores honestos, cuja conduta reflete o que pregam em suas igrejas, mas, assim como no caso dos políticos honestos, são bem poucos - pouquíssimos mesmo. Não há como negar: em qualquer igreja em que o dinheiro entrar pela porta da frente, a vergonha e a decência sairão pelas portas dos fundos.
Praticantes da Teologia da Prosperidade no Brasil:

- a Igreja Universal do Reino de Deus, do Bispo Macedo, que já esteve preso e é o grande campeão de denúncias por falcatruas e malfeitorias, tio do Bispo Marcelo Crivella, lambe-botas das raposas políticas de Brasília.

- Assembléia de Deus, do falastrão e mestre-enganador Silas Malafaia;

- Igreja Internacional da Graça de Deus, do Missionário R.R. Soares, ex-sócio e cunhado de Edir Macedo (ajudou a fundar a Igreja Universal), com o qual não conversa desde os Anos 80 por causa de brigas na divisão do dinheiro;

- Igreja Mundial do Poder de Deus, fundada pelo Apóstolo Waldemiro Santiago, inventor do Trízimo, ex-sócio de Edir Macedo -- em Mar.2010 três de seus pastores foram presos em flagrante por tráfico internacional de armas;

- Igreja Apostólica Renascer em Cristo, fundada pelo casal Estevam e Sônia Hernandes, acusados de malandragens de toda ordem, e que foram presos nos EUA por ilegalidades com dinheiro;

- Igreja Nacional do Senhor Jesus Cristo, de Valnice Milhomens, criou o sistema de franquia nas igrejas;

- Igreja Sara Nossa Terra, do Pastor-Deputado Robson Rodovalho, notável bajulador de políticos;

- Igreja do Evangelho Quadrangular, do Pastor-Deputado Mário de Oliveira, acusado de mandar matar seu ex-amigo e também Pastor-Deputado Carlos Willian;

- Ministério Tempo do Avivamento, outro bajulador Pastor-Deputado Marco Feliciano;

- existe ainda uma infinidade de picaretas que pregam a Teologia da Prosperidade, como Anthony e Rosinha Garotinho - representantes do que há de pior na mistura venenosa de religião com política; ou como Doriel de Oliveira, fundador da Casa da Benção, pai do Pastor-Deputado Rubens César Brunelli Júnior, célebre personagem da Oração da Propina (veja as imagens: www.youtube.com/watch?v=xuaRqvzX5jY) em meio aos vídeos e denúncias de roubalheira de dinheiro público que culminou com a prisão do então governador do Distrito Federal.


Jornal Folha de São Paulo - 16 de Julho de 2011
http://www1.folha.uol.com.br/poder/944258-bispo-da-universal-incentiva-crianc...

Bispo da Universal incentiva criança a dar brinquedo à igreja

Uma criança de nove anos é incentivada por um bispo da Igreja Universal do Reino de Deus a vender seus brinquedos e doar o dinheiro à igreja para que os pais parem de brigar. Enquanto isso, sua mãe é exorcizada no altar.

A cena ocorreu em culto da Universal em Santo Amaro, zona sul de São Paulo, e está sendo exibida em vídeo no blog do bispo Edir Macedo, fundador e líder da igreja. (...) No vídeo, o menino conta ao bispo Guaracy Santos que seus pais têm brigado com frequência. O bispo pergunta que sacrifício ele fará pelos pais. "Eu vou dar tudo que eu tenho", responde a criança. Guaracy devolve: "E o que é tudo que você tem?". "Brinquedo", diz o menino.

O bispo insiste: "Você vai vender?". A criança diz que sim, e Guaracy pergunta, referindo-se ao dinheiro: "Pra colocar onde?" "No altar", promete a criança. (...). E conclui: "Seja fiel, vende o que você tem. Tem fé pra isso? Vai na tua fé". (...)

DIREITO DA CRIANÇA

Ricardo Cabezón, presidente da Comissão de Direitos Infanto-Juvenis da OAB-SP (...) "A criança deve ser poupada. Se a própria mãe está numa situação de incapacitada, nas mãos de outra pessoa, não se pode pegar uma criança para que ela explique o que está se passando".

A advogada Roberta Densa, que dá aulas sobre o ECA, avalia que o bispo se aproveita da condição "vulnerável" da criança. "É uma situação de manipulação".

Para João Santo Carcan, vice-presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, o papel da igreja, ao tomar conhecimento de um problema desses, seria entrar em contato com os órgãos públicos de assistência social. "Ali tratam a criança como instrumento de receita", diz. (...)

Folha.com

domingo, 10 de julho de 2011

A sociedade mudou muito. Já as igrejas...

A sociedade mudou muito. Já as igrejas...
Regras definidas por igrejas muitas vezes limitam quem não tem como segui-las, como os divorciados




foto: Carlos Alberto Silva

O administrador Paulo Maurício, de 57 anos, e sua esposa Ângela Aparecida Casemiro Del Rey, de 40 anos, são um casal católico de segunda união

Há mais de 40 anos se instituía o divórcio. Recentemente, a lei reconheceu a união entre homossexuais. A sociedade moderna avança a passos largos, porém a maioria das igrejas tradicionais tetem mostrado dificuldades para acompanhar a rapidez dessas mudanças.

Nesse compasso, os fiéis que se encontram, mesmo sem querer, em situações de conflito com as doutrinas da igreja que decidiram seguir, encontram caminhos para continuar vivendo em plenitude a sua fé.

Questão de consciência
Há 20 anos, desde que se casou, a esteticista Angela Maria de Almeida, 41 anos, não comunga, por haver celebrado a união somente no civil. "Meu marido foi criado em uma família de pais de religiões diferentes e acabou não frequentando nenhuma.E ele não quis fazer a primeira eucaristia só para poder se casar na igreja", explica ela.

Angela acredita que se decidisse por comungar não seria recriminada nem pelo padre nem pela comunidade. "Mas não faço por uma questão de minha consciência com Deus, mesmo às vezes sentindo falta desse sacramento".

O mesmo pratica o casal Paulo Maurício del Rey, 57 anos, e Angela Aparecida Cassemiro del Rey, 40, que vive uma segunda união há 11 anos.

"Ninguém casa para se separar. E quando se rompe essa aliança é claro que há sofrimento, pois temos um respeito muito grande pelo sacramento do matrimônio. Mas as coisas ficaram mais claras quando a gente entendeu a proposta da Igreja para pessoas na nossa situação", conta Angela de Almeida.
foto: Ricardo Medeiros

Para formar uma família, ele abriu mão da vocação
Desde os 11 anos Edebrande Cavalieri estudou num seminário com o objetivo de se tornar padre. Seu ideal era trabalhar nas missões, ajudando a população mais carente do continente africano.

Mas no último ano de estudo, antes de sua ordenação, já um jovem de 24 anos, ele decidiu abrir mão da vocação por sentir que não seria possível conviver com uma das exigências da vida religiosa: o celibato. "Sempre procurei ser coerente com as minhas convicções. Apesar de acreditar na minha vocação, eu não podia seguir. Não dá para ter uma vida dupla", explicou.

Cavalieri se casou, teve filhos e ingressou na vida acadêmica. Hoje é professor de Filosofia na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Ele garante que a mudança de rumo na sua vida não abalou em nada sua relação com o catolicismo.

"O celibato é uma questão disciplinar da Igreja e não tem relação direta com a fé da pessoa", explica. Na opinião de Cavalieri, que também é teólogo, a Igreja Católica é liberal e tem o cuidado de "ouvir a voz do tempo". "Até a década de 60 as missas eram rezadas em latim. Isso e muita coisa já mudou na Igreja", garante ele.

Acolhimento
O casal encontrou na comunhão espiritual e no serviço à Igreja a forma de viver sua fé. Trabalha na Pastoral Familiar há seis anos, no acolhimento de casais em situação especial.

A coordenadora da Pastoral Familiar da Paroquia Sagrada Família, Gláucia Magalhães Guimarães, conta que muitos casais de segunda união chegam à igreja pensando que não serão bem recebidos. "Eles acreditam que o que os envolve na Igreja é a eucaristia, e a primeira coisa que perguntam é por que não podem comungar. Mas há outras formas de se sentir em comunhão com Deus, como se alimentar da palavra sagrada", explica.

Para gays há duas saídas: omitir e continuar ou mudar
Nem a família nem os colegas que participam da mesma igreja evangélica do professor César (nome fictício), de 28 anos, sabem que ele é homossexual. Desde os 11 anos ele frequenta as celebrações em que se prega que a família ideal e abençoada por Deus é aquela formada por um homem e uma mulher. "Na adolescência foi a parte mais difícil e na qual eu tinha mais conflitos pessoais. É uma fase em que você ainda não se aceita, e como a igreja não abre espaço para o tema, fica tudo mais complicado", conta.

Para se preservar, ele prefere não participar dos ritos das celebrações, que incluem a ceia. "A gente acaba ficando um pouco à margem das celebrações, às vezes por iniciativa própria". Mesmo com todas essas questões, César não pensa em mudar para as igrejas que têm surgido, lideradas por homossexuais. "Cresci aqui, é onde tenho meus amigos. Eu gosto da religião que escolhi", afirma.

Outro caminho seguiu o fisioterapeuta Jeferson Lima, de 31 anos. Ele cresceu na Igreja Católica, mas com o tempo acabou mudando para uma denominação espírita. "Além de haver sentido minha mediunidade, mudei porque aqui não preciso esconder quem sou e me sinto mais confortável. Mas sigo uma doutrina quase particular, pois não vejo a homossexualidade como pecado", afirma Lima.

Religiosidade cada vez mais privada
Para o teólogo Wanderley Pereira da Rosa, as novas formas de família, o divórcio, a homoafetividade e outros aspectos da vida moderna têm levado as pessoas a viverem a sua religiosidade em um âmbito mais privado. "Hoje o que diz o papa não é mais lei para todos aqueles que frequentam a igreja. Eles vivem a sua fé, mas na hora de solucionar as questões da vida particular, as decisões não costumam ter cunho religioso", afirma. Para ele, a manutenção de normas e proibições que não se ajustam a modernidade podem gerar sentimentos de culpa nos fiéis e um ambiente de hipocrisia. "É o que acontece, por exemplo, quando um membro tem que ocultar a sua sexualidade e os fiéis acabam não tendo liberdade dentro da própria igreja", explica.

Análise

"Mudanças em ritmo lento"
Christovam Mendonça, teólogo, mestrando en Ciências da Religião e coordenador do Fórum Estadual em Defesa dos Direitos e Cidadania LGBT
Todas as igrejas, inclusive as mais tradicionais, não são formadas somente por dogmas e doutrinas. Elas são instituições políticas, empresariais e administrativas que necessitam serem legitimizadas pela sociedade. E a medida que começam a perder fiéis, passam a se adaptar.

Acredito que é isso o que vai acontecer com relação aos gays e outras questões. Lentamente, as igrejas passarão a ser mais inclusivas. Isso já ocorreu com o divórcio, por exemplo. Antes, pessoas divorciadas não eram aceitas. Hoje elas já podem participar de várias atividades em algumas igrejas. E isso aconteceu em muitos outros casos: antes a igreja pensava que os negros não tinham alma, que a terra era o centro do universo, que escrever com a mão esquerda era um caso de possessão demoníaca. E tudo isso mudou.

A Igreja Presbiteriana Unida e a Batista dos Estados Unidos são exemplos de denominações que já adotam uma proposta mais inclusiva com relação à diversidade sexual.


Autoria: Cida Alves
A Gazeta - ES

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Religião e crença em deus não são necessariamente fatores positivo na sociedade

Para iniciar a seção de Ciência, apresentamos aquele que é um dos mais poderosos estudos onde se pode constatar que religião e crença em deus não é necessariamente um fator positivo na sociedade.

Gregory S. Paul de Baltimore, MD, apresentou um estudo com o título: Correlações em variáveis quantificáveis de saúde pública em democracias prosperas com religiosidade popular e secularismo (Cross-National Correlations of Quantifiable Societal Health with Popular Religiosity and Secularism in the Prosperous Democracies), que foi publicado “Jornal da Religião e Sociedade”, volume 7 em 2005 (ver aqui).

No artigo podemos ler que teístas gostam de afirmar que o “criador” foi instrumental para o desenvolvimento de comportamentos morais e éticos, assim como as fundações necessárias para uma sociedade saudável e coesa. Evidência que a crença num “criador” é benéfica para sociedades é largamente baseada em assumpções empíricas, e estudos com manipulações experimentais e/ou erros metodológicos (como por exemplo, selecção de uma amostra de conveniência).

Os dados recolhidos para este estudo foram resultado de aplicação de sondagens em 38 nações pela International Society Survey Program e da Gallup em temas de Ciência Social. A última sondagem contabilizou 23.000 pessoas em democracias “desenvolvidas”; Portugal é considerado como um exemplo de uma democracia Europeia de “segundo mundo”. Outros países incluídos foram: Alemanha, Reino Unido, Holanda, Estados Unidos, Japão, países Escandinavos, entre outros. As variáveis independentes incluíram: literacia bíblica, frequência de preces, e ida regular a igrejas.

Igualmente para avaliar actividades, fervor e conservadorismo religioso, crença absoluta em deus foi questionada. Variáveis independentes foram consideradas: homicídio, suicídio juvenil, gravidez precoce, doenças sexualmente transmissíveis (DST) e taxa de interrupção voluntária da gravidez.

Análises de regressão múltipla foram aplicadas devido à variabilidade nos graus de correlações e devido aos factores de função social serem (naturalmente) de grande complexidade. Correlações dos dados foram efectuadas inicialmente para medir interacções entre variáveis.

Os resultados encontrados são de grande importância e merecem uma análise detalhada.

Democracias seculares têm visto a taxa de homicídios diminuir progressivamente até atingir os valores mais reduzidos de sempre. Por outro lado, os EU, onde os níveis de religiosidade são muito elevados, são a única democracia próspera que tem altos valores de homicídio. Portugal, apresentado neste estudo como uma sociedade teística, tem valores de homicídios muito acima de outras democracias seculares.

A correlação positiva entre factores religiosos e mortalidade juvenil é declarada, principalmente entre aqueles que tem valores mais elevados de crença e prece.

Relativamente a DST’s, taxas de gonorreia adolescente nos EU são seiscentas vezes mais elevadas que em países menos teístas, e com sociedades seculares. Igualmente os EU mostram as taxas mais elevadas de infecções de sífilis. Duas das mais curáveis DTS’s foram quase eliminadas em países da Escandinávia, que se caracteriza por ser fortemente secular.

Taxas de aborto adolescente mostram correlações positivas com crença e “entrega ao criador”, e correlação negativa com ateísmo. Novamente, o pais que mais sofre de aborto em adolescentes é os US, novamente, o país no estudo com maior número de crentes. Um ponto interessante de analisar foi a afirmação de João Paulo II que a cultura secular agrava a taxa de abortos, enquanto os dados mostram exactamente o contrário.

Nas conclusões, o autor refere que, ao contrário do que seria desejado por setores religiosos das sociedades mais desenvolvidas (nomeadamente nos EUA), os dados não mostram que países mais religiosos, com uma maior crença num “criador”, têm melhores taxas de saúde pública. As populações de democracias seculares podem claramente governar-se e manter coesão social sem necessidade de recorrer a “sistemas de fé”. De fato, os dados deste estudo demonstraram que democracias seculares, pela primeira vez na história, quase atingem um ponto de “cultura de vida”, com baixos valores de crime letal, diminuição de aborto, mortalidade juvenil e doenças sexualmente transmissíveis.

domingo, 12 de junho de 2011

Um outro Jesus

Um outro Jesus
Os evangelhos apócrifos - textos que foram proibidos pela Igreja e que desapareceram por mais de um milênio - trazem um Jesus diferente daquele que conhecemos
Érica Montenegro


Quem não conheceu a si mesmo não conhece nada, mas quem se conheceu veio a conhecer simultaneamente a profundidade de todas as coisas.
Esta frase acima é atribuída a Jesus Cristo. Mas não adianta ir procurá-la na Bíblia. Ela não está em nenhum lugar dos Evangelhos de Lucas, Marcos, Mateus ou João, os únicos relatos da vida de Jesus que a Igreja considera autênticos. A citação faz parte de um outro evangelho – o de Tomé. Também não perca seu tempo procurando por esse livro no Novo Testamento. Não há por lá nenhum evangelho com o nome do mais cético dos apóstolos, aquele que queria "ver para crer".
Acontece que o texto existe. E é um documento antigo – segundo alguns pesquisadores, tão antigo quanto os que estão na Bíblia (veja quadro na página 51). O Evangelho de Tomé, assim como outras dezenas – ou centenas – de textos semelhantes, foi escrito por alguns dos primeiros cristãos, entre os séculos 1 e 3 da nossa era. Ele foi cultuado por muito tempo. Até que, em 325, sob o comando do imperador romano Constantino, a Igreja se reuniu na cidade de Nicéia, na atual Turquia, e definiu que, entre os inúmeros relatos sobre a vinda de Cristo que existiam, só quatro eram "inspirados" pelo filho de Deus – os "evangelhos canônicos" ("evangelho" vem da palavra grega que significa "boa nova", usada para designar a notícia da chegada de Cristo, e "canônico" é aquele que entrou para o cânone, a lista dos textos escolhidos). Os outros eram "apócrifos" (de legitimidade duvidosa). Estes foram proibidos, seus seguidores passaram a ser considerados hereges e muitos foram excomungados, perseguidos, presos. A maioria dos apócrifos acabou destruída e os textos sumiram, alguns para sempre.
Mas nem todos. O Evangelho de Tomé, o de Filipe e o de Maria Madalena, por exemplo, escaparam por pouco da destruição – graças a um egípcio anônimo. Em algum momento do século 4, esse egípcio teve a boa idéia de esconder num jarro de barro cópias manuscritas na língua copta desses textos e de muitos outros ameaçados pela perseguição da Igreja. O jarro ficou 1 600 anos sob a areia do deserto. Acabou resgatado por um grupo de beduínos, em 1945, perto da cidade egípcia de Nag Hammadi. Só nos últimos anos os textos acabaram de ser traduzidos e chegaram ao conhecimento dos cristãos do mundo.
Assim, por acidente, alguns apócrifos sobreviveram ao tempo. E agora, 2 mil anos depois da morte de Cristo, eles estão fazendo um tremendo sucesso. Inspiram filmes milionários (como Matrix) e best sellers (como O Código Da Vinci). São adotados por seitas cristãs, geram religiões, dão origem a teorias conspiratórias e são cada vez mais lidos por fiéis do mundo, inclusive cristãos tradicionais, que não vêm contradição entre alguns desses textos e a religião que eles seguem. Só no Brasil há pelo menos 30 grupos cujas crenças são baseadas nos apócrifos. Como explicar essa súbita popularidade para textos que estiveram sumidos por mais de um milênio e meio?

Talvez a principal razão seja o fato de que os textos revelam mais sobre Jesus. Os quatro evangelhos canônicos contam uma história fascinante, mas deixam muitas brechas. Os cristãos do mundo têm vontade de saber mais sobre esse homem, ainda que seja através de textos que a Igreja não considera legítimos.
E vários dos apócrifos trazem passagens reveladoras para aqueles que tentam enxergar o homem por trás do Deus. "É um Jesus mais humano, em situações mais próximas da vida de homens e mulheres de hoje", diz o jornalista espanhol Juan Arias, do El País, autor de livros sobre a história do cristianismo. Arias, que cobriu o Vaticano por 14 anos, está terminando um livro em que resume as pesquisas históricas a respeito de Maria. Um dos temas que ele examina é a falta de referência em alguns apócrifos à virgindade da mãe de Jesus. "Que mulher se identifica com outra que foi mãe sem perder a virgindade?", pergunta.
Além disso, vários apócrifos trazem o retrato de um Jesus diferente do que conhecíamos. "As questões de gênero, as relações de poder e até mesmo a espiritualidade estão colocadas em termos mais ecumênicos e holísticos nos apócrifos", diz o frei franciscano Jacir de Freitas Farias, professor do Instituto São Tomás de Aquino, em Belo Horizonte. Frei Jacir promove retiros em que evangelhos apócrifos, meditação e ioga se misturam para proporcionar conforto espiritual aos participantes.
Veja por exemplo aquela citação lá atrás, a que abre a reportagem. O que está escrito ali é que nada é mais importante que a sabedoria, e que o autoconhecimento é o caminho para a sabedoria. Essa idéia – que não é muito diferente daquilo que prega o budismo – está completamente ausente dos evangelhos de Mateus, Marcos, João e Lucas. Qualquer bom cristão sabe que o Novo Testamento oferece um caminho de só duas pistas para a salvação. Primeiro: é preciso ter fé (ela remove montanhas). Segundo: suas ações têm que ser boas (ame o próximo como a si mesmo). Em nenhum lugar há referência a outra rota para o Paraíso. Nem Lucas, nem Marcos, nem Mateus, nem João mencionam a salvação pelo autoconhecimento, ou pela sabedoria.
Se o cristianismo tradicional ignorava a importância do autoconhecimento, a idéia não é nova para nós, ocidentais do século 21. Sigmund Freud, no século 19, trouxe para a ciência a idéia de que há algo para ser descoberto dentro de nós mesmos – no caso, o subconsciente – e que esse algo pode nos trazer conforto e felicidade. Talvez esteja aí – na herança freudiana – uma das explicações para o sucesso dos apócrifos nos tempos atuais.
Há outras. O Evangelho de Tomé e outros apócrifos falam ao coração de um contingente que não pára de crescer nos tempos atuais: os ávidos por espiritualidade, mas desconfiados da religião (é bom lembrar que a maior parte dos católicos brasileiros se diz "não praticante"). "O reino está dentro de vós e também em vosso exterior. Quando conseguirdes conhecer a vós mesmos, sereis conhecidos e compreendereis que sois os filhos do Pai Vivo. Mas, se não vos conhecerdes, vivereis na pobreza e sereis a pobreza", diz o texto de Tomé.
Muitos apócrifos pregam também códigos de conduta menos rígidos que os do cristianismo tradicional. Numa passagem do Evangelho de Maria Madalena, Cristo diz que "eu não deixei nenhuma ordem senão o que eu lhe ordenei, e eu não lhe dei nenhuma lei, como fez o legislador, para que não seja limitada por ela". Esse trecho parece contrariar a própria autoridade da Igreja. Em Tomé, também aparece um Jesus menos dado a imposições, que diz "não façais aquilo que detestais, pois todas as coisas são desveladas aos olhos do Céu". Bem diferente das aulas de catecismo, não?
Outra novidade é que vários apócrifos valorizam o papel da mulher. Os evangelhos de Filipe e de Maria Madalena afirmam que Madalena recebia revelações privilegiadas do Salvador. "O Senhor amava Maria mais do que todos os discípulos e a beijou na boca repetidas vezes", afirma o de Filipe. Para Karen King, historiadora eclesiástica da Universidade Harvard, Madalena estava tão autorizada a pregar a palavra de Jesus quanto os 12 apóstolos. "Os textos mostram que Maria Madalena entendeu os ensinamentos de Jesus melhor do que ninguém", afirmou, em entrevista à revista National Geographic.
Sem falar que muitos apócrifos deixam em segundo plano uma velha conhecida dos cristãos: a culpa. Você conhece a história dos livros canônicos: eu e você somos pecadores, e Cristo morreu na cruz para nos salvar. Nós pecamos, ele morreu – durma-se com isso na consciência. Já os evangelhos de Tomé, Filipe e Maria Madalena não contêm uma só linha sobre o julgamento e a condenação de Jesus. Ou seja, a Paixão de Cristo, que hoje consideramos central para a fé cristã, não tinha a menor importância para os seguidores desses textos. Nada de culpa, portanto. Ele traz apenas charadas que convocam seus leitores a reflexões espirituais.
Para resumir: os apócrifos revelam um Jesus mais democrático e menos sexista, mais tolerante e menos autoritário – características que combinam com nossos dias. Eles eliminam a culpa e abrem caminho para uma fé pessoal, algo que faz sucesso nestes tempos individualistas. Sem falar que estão cercados de uma charmosa aura de mistério. "Esta é uma sociedade que desconfia de qualquer instituição, então dizer que eles foram condenados pela Igreja vira um chamariz e tanto", diz o teólogo Pedro Vasconcellos, da PUC de São Paulo. Deu para entender por que eles estão tão na moda?

Mas, afinal, que textos são esses? Dá para dizer que eles são vestígios de cristianismos perdidos. Sim, é isso mesmo: o cristianismo, no começo, não era um só, eram vários. "Nos séculos 2 e 3, havia cristãos que acreditavam em um Deus. Outros insistiam que Ele era dois. Alguns diziam que havia 30. Outros, 365", escreve Bart Ehrman, professor de Estudos Religiosos na Universidade da Carolina do Norte, no livro Lost Christianities ("Cristianismos Perdidos", sem versão em português).
Os primeiros cristãos viviam em comunidades clandestinas, que se reuniam às escondidas nas periferias das cidades e que tinham pouco contato umas com as outras. Essas comunidades eram lideradas muitas vezes por pessoas que conheceram Cristo ou pelos próprios apóstolos. Como Cristo não deixou nada escrito, coube a essas primeiras lideranças do cristianismo construir a religião.
Não há como saber se o Evangelho de Mateus foi escrito pelo próprio Mateus. "Naquele tempo, como ainda hoje, não faltava quem se candidatasse a pregar em nome de um personagem tão importante", afirma o teólogo Paulo Nogueira, da Universidade Metodista de São Paulo. Mas é bastante provável que o texto tenha sido construído a partir dos ensinamentos do apóstolo recolhidos por seus seguidores. Da mesma forma, os evangelhos de João, Pedro, Maria Madalena, Tomé e Filipe devem ter sido os textos que guiavam as práticas dos grupos que se reuniram em torno dessas figuras importantes da religião nascente (ou que buscaram inspiração nelas). "Os evangelhos apócrifos, da mesma forma que os canônicos, não devem ser encarados como reproduções exatas das palavras de Jesus Cristo, mas como interpretações da mensagem dele feitas pelas primeiras comunidades cristãs", diz o teólogo Vasconcellos. É claro que essas interpretações nem sempre concordavam umas com as outras. E, portanto, é claro que, naquela aurora do cristianismo, produziram-se diversos textos – muitas vezes contraditórios entre si.
Entre os primeiros grupos cristãos havia, por exemplo, os ebionitas, uma das seitas mais antigas. Eles se consideravam judeus e achavam que Jesus era o Salvador apenas do povo hebreu. Os ebionitas mantinham os rituais judaicos, rezavam voltados para Jerusalém e acreditavam que Cristo tinha sido especial não por ser filho de Deus, mas por ter seguido à perfeição a lei judaica.
No outro extremo, estavam os marcionitas, para quem havia dois deuses. O primeiro deles seria um deus mau – o deus dos judeus, responsável por tudo de ruim no planeta. Jesus seria o segundo, um deus bom, que teria surgido para nos liberar da divindade maligna. Esse cristianismo, que hoje soa bizarro, foi popular no começo do século 2, antes de ser condenado como heresia em 139. Uma das razões para o sucesso é que a tese de dois deuses exclui a culpa cristã. Se um deus mau criou o mundo, é ele o responsável pelos sofrimentos sobre a terra.
Os gnósticos tinham crenças aparentadas às dos marcionistas. Também para eles o mundo foi criado por uma divindade imperfeita e não havia por que nos sentirmos culpados pelos males que existem. A diferença é que os gnósticos acreditavam que o Deus bom influiu na criação. Ele dotou cada um dos seres humanos de uma centelha divina – que nos dava a capacidade de despertar dessa imperfeição e conhecer a verdade. Se conseguirmos acumular conhecimento (gnosis, em grego), nos libertaremos desse mundo mau e estaremos salvos. Cristo, para os gnósticos, seria um enviado desse Deus verdadeiro, cujo objetivo seria nos ensinar a despertar. A escrita e a leitura cumpririam um papel importante nesse processo, e por isso eles deixaram muitos textos (boa parte dos apócrifos são gnósticos). Nota-se uma forte influência da filosofia grega nesse cristianismo.
Há uma boa pitada de gnosticismo naquela frase do Evangelho de Tomé que abre esta reportagem. Mas os tomasinos (seguidores de Tomé) eram uma seita à parte. Eles também acreditavam na salvação pelo conhecimento, mas iam além: pregavam que a busca é completamente individual. Os tomasinos rejeitavam a hierarquia – e, portanto, a Igreja. A salvação está dentro de cada um de nós e podemos atingi-la sem a ajuda de um padre.
E havia, claro, os seguidores de Paulo e os de Pedro, fortes especialmente em Roma, bem no centro do império. Esse grupo, no início, não era maior nem mais representativo que os outros. A proximidade com a burocracia estatal que administrava o Império Romano certamente exerceu influência sobre ele – não é à toa que o cristianismo romano era o mais organizado e hierarquizado de todos.
Cada uma dessas comunidades cristãs seguia um certo conjunto de textos – e rejeitava outros. Mas a maioria considerava legítimos os evangelhos de Marcos, Matias, Lucas e João, que provavelmente são os mais antigos e menos controversos. Em 312, o imperador romano Constantino se converteu ao cristianismo. E foi o cristianismo de Roma que ele escolheu. Constantino administrava um império que era quase "universal", e queria também uma "Igreja universal". Quando, 13 anos depois, sob as ordens do imperador, a Igreja se reuniu para decidir o que era o cristianismo, os bispos de Roma, mais organizados e com o apoio decisivo do imperador, sobressaíram nas discussões. "O credo de Nicéia acabaria por se tornar a doutrina oficial que todos os cristãos deveriam aceitar para participar da Santa Igreja, a Igreja Católica", escreve o teóloga Elaine Pagels, da Universidade Princeton, nos Estados Unidos, no livro Além de Toda Crença: O Evangelho Desconhecido de Tomé.
Os textos que não davam importância à crucificação de Cristo acabaram proibidos. Afinal, a Igreja romana, que cresceu em meio a violentas perseguições, valorizava muito o martírio – associado ao martírio de Cristo. Os evangelhos dos tomesinos, que pregavam a busca individual pela salvação, também caíram fora. A hierarquizada Igreja de Roma obviamente não simpatizava com essas idéias libertárias. Entre os textos que foram proibidos, vários faziam parte das bibliotecas gnósticas. Para Eusébio de Cesária, que no século 4 escreveu o primeiro livro sobre a história do cristianismo, o gnosticismo estava sendo introduzido pelo demônio, "que odeia o que é Deus, que é inimigo da verdade, hostil à salvação do mundo, voltando todas suas forças contra a Igreja". Acredita-se que os manuscritos de Nag Hammadi sejam tesouros salvos da biblioteca gnóstica do Mosteiro de São Pacômio, que ficava lá perto.
Ninguém sabe ao certo quantos evangelhos foram suprimidos. O que se sabe é que só quatro livros foram considerados "corretos". Apenas neles "o ensinamento das linhas de Deus é proclamado. Não acrescentem nada a eles, não deixem nada se afastar deles", segundo um decreto de um bispo de Alexandria. Daí para a frente, haveria quatro evangelhos. E, pela primeira vez, um só cristianismo.

Voltemos então à pregação gnóstica, expressa em vários dos evangelhos apócrifos. O mundo é mau por natureza, mas cada um de nós traz dentro de si uma centelha e, se atingirmos o conhecimento, iremos despertar. Jesus veio à Terra para nos ensinar o caminho. Agora substitua nessa história o nome de Jesus pelo de Neo. E temos um dos maiores sucessos pop dos últimos anos, a trilogia Matrix.
Matrix fez tanto sucesso porque toca num tema com o qual é difícil não se identificar: a sensação de não pertencer a esse mundo, de se sentir estranho nele, e de que ele é banal demais para nossas altas aspirações espirituais. É claro que seria um absurdo dizer que o sujeito que saiu do cinema empolgado com a saga dos irmãos Wachowski tenha sido tocado pelo mesmo tipo de revelação que os cristãos envolvidos pelas pregações gnósticas no século 2 ou 3. Mas talvez não seja por coincidência que o roteiro, inspirado por textos gnósticos, tenha soado tão transcendental .
Os evangelhos apócrifos, assim como os canônicos, foram escritos por pessoas inquietas, numa época conturbada e difícil, em que as antigas respostas já não davam conta de acalmar os espíritos. É claro que os tempos, hoje, são muito diferentes. Mas, de novo, boa parte da humanidade está inquieta e insatisfeita com as respostas que existem. Tem muita gente em busca de alguma coisa que torne nossa existência mais transcendente, mais valiosa. E esses textos escritos por outros homens, numa busca parecida, podem nos dar uma dica de onde começar a procurar.

Um dos critérios para explicar por que só os evangelhos de Marcos, Lucas, Mateus e João entraram na Bíblia é a datação. Um consenso entre os especialistas situa os canônicos como tendo sido escritos entre 60 e 90. Já os apócrifos teriam sido produzidos a partir do século 2. Mas também sobre essa questão pairam dúvidas.
Está lá no Evangelho de João. Cristo disse: "Porque me viste, Tomé, creste; bem-aventurados os que não viram e creram". Alguns pesquisadores, como a americana Elaine Pagels, da Universidade Princeton, nos Estados Unidos, acham que o autor do texto, quando o escreveu, estava respondendo ao Evangelho de Tomé. Se a tese dela está correta, o Evangelho de Tomé é mais antigo que o de João.
Segundo essa teoria, o Evangelho de João seria um esforço para negar que a salvação pudesse ser atingida pela busca pessoal do autoconhecimento, tese central de Tomé. O Evangelho de João coloca então Tomé no papel do cético exagerado que é repreendido por Cristo. E conclui apontando um caminho mais simples para a salvação: basta acreditar nela. A fé salva.

Evangelho - Evangelho de Pedro
Conteúdo - Provavelmente circulou no século 2, tendo sua autoria atribuída ao apóstolo Pedro. Conta uma versão diferente da ressurreição de Cristo: o Salvador teria sido conduzido ao céu por dois anjos
Por que foi proibido - Foi acusado de uma heresia chamada "docetismo", pela qual Jesus era somente espírito
Como foi descoberto - Arqueólogos franceses encontraram um fragmento do texto na tumba de um monge no Egito, em 1886

Evangelho - Evangelho de Filipe
Conteúdo - Traz histórias que não estão na Bíblia, como a de que Jesus mudava de aparência para conhecer aqueles a quem se revelava. Sugere seu relacionamento com Madalena. Circulou no século 3
Por que foi proibido - Por ser gnóstico e afirmar que só mulheres virgens entravam no Paraíso (o que inviabilizaria as famílias)
Como foi descoberto - Foi encontrado em 1945, em meio aos manuscritos enterrados num vaso em Nag Hammadi

Evangelho - Evangelho de Maria Madalena
Conteúdo - Num dos poucos fragmentos que restaram, Cristo ressuscitado instrui os discípulos a espalhar o gnosticismo e avisa que não deixou leis. Afirma que Jesus transmitiu segredos a Madalena
Por que foi proibido - O texto é escrito de acordo com o gnosticismo, que foi condenado como heresia
Como foi descoberto - Um pedaço foi descoberto em um mosteiro egípcio em 1896. Outra versão estava em Nag Hammadi

Evangelho - Evangelho de Tomé
Conteúdo - São 114 frases atribuídas a Jesus. Nelas, Ele afirma que a salvação vem do autoconhecimento e que a centelha divina está em cada um. Alguns pesquisadores dizem que o texto é do século 1
Por que foi proibido - Foi combatido pelos primeiros padres da Igreja por causa de seu contéudo gnóstico
Como foi descoberto - É um dos textos que estavam perdidos até a descoberta de Nag Hammadi, em 1945

"Jesus disse ao jovem o que devia fazer, e à noite este veio a ele com um vestido de linho sobre o corpo nu. E ficaram juntos aquela noite, pois Jesus ensinou-lhe o mistério do reino de Deus." Esse trecho explosivo foi divulgado nos anos 70 por Morton Smith, pesquisador da Universidade da Califórnia.
Morton afirma que organizava a biblioteca do mosteiro de Mar Saba, próximo a Jerusalém, em 1958, quando encontrou a citação copiada na contracapa de um livro. O trecho teria vindo de um certo Evangelho Secreto de Marcos, escrito pelo mesmo autor do Evangelho de Marcos.
Especialistas confirmaram que o texto correspondia ao estilo do autor. Morton publicou dois livros polêmicos em que defendia a tese de que a conjunção carnal fazia parte da iniciação cristã. Seria uma grande descoberta, não fosse um detalhe: o único que viu o achado foi o próprio Morton. O livro sumiu do mosteiro. Portanto, uma dúvida insolúvel ronda o suposto evangelho homoerótico: seria verdadeiro ou uma fraude engendrada por um exímio conhecedor de textos antigos?
A trilogia Matrix não é o único sinal da influência dos evangelhos apócrifos sobre a cultura pop. Outro que se fartava na fonte era o autor de ficção científica Philip K. Dick. O escritor, cujos livros inspiraram filmes como o clássico-mor do sci-fi, Blade Runner, e também Minority Report (de Spielberg) e O Troco (de John Woo), era entusiasta de textos gnósticos, que abasteceram a "dualidade bem e mal" em sua obra. Outra história pop é a do relacionamento entre Maria Madalena e Jesus Cristo. O megabest seller O Código Da Vinci, do americano Dan Brown, pega carona nessa onda e sustenta uma trama mirabolante sobre os filhos de Jesus e Madalena, que será levado às telas em 2005, pelas mãos do diretor Ron Howard. Hollywoodianamente, a influência dos apócrifos pôde ser vista até mesmo em blockbusters descartáveis, caso do rocambolesco Stigmata. Nele, a atriz Patricia Arquette é acometida pelas chagas de Cristo. Num clima de suspense de segunda, o filme evoca os escritos de Tomé quando entra no assunto de que a Igreja seria dispensável para que o cristão se aproximasse de Deus. Detalhe bizarro: algumas cenas se passam no Brasil e os figurantes falam uma tosca mistura de português, espanhol e italiano.
Na livraria:
Lost Christianities: The Battles for Scripture and the Faiths We Never Knew - Bart D. Ehrman, Oxford University Press, EUA, 2003
Além de Toda Crença: O Evangelho Desconhecido de Tomé - Elaine Pagels, Objetiva, Rio de Janeiro, 2003
Apócrifos da Bíblia e Pseudo-Epígrafos - Cristão Novo Século, São Paulo, 2004
As Origens Apócrifas do Cristianismo - Jacir de Freitas Faria, Paulinas, São Paulo, 2003
Jesus, Esse Grande Desconhecido - Juan Arias, Objetiva, Rio de Janeiro, 2002

http://super.abril.com.br

sábado, 21 de maio de 2011

Dez falsas profecias do fim do mundo

Dez falsas profecias do fim do mundo
Hoje


A previsão de fim do mundo do pastor evangélico californiano Harold Camping não se confirmou. A revista 'Time' fez o "top 10" das falsas profecias.

Uma das mais conhecidas, diz a revista norte-americana, é a de William Miller. Em 1840, começou a dizer que o mundo ia acabar e Cristo regressaria, prevendo um grande incêndio entre 21 de Março de 1843 e 21 de Março de 1844. Quando a data passou, disse que afinal era até Outubro. O fim nunca chegou, mas os seus seguidores formaram a Igreja Adventista do Sétimo Dia.

Esta também não é a primeira vez que Camping erra a previsão. Antes, tinha estabelecido a data do fim do mundo como sendo 6 de Setembro de 1994. As suas previsões são sempre baseadas em cálculos a partir de acontecimentos da Bíblia.

A profecia de 2012 já fez correr muita tinta. Baseia-se no calendário maia, que termina a 21 de Dezembro de 2012. Mas há também quem acredite que no próximo ano a Terra vá colidir com um planeta, apelidado Nibiru, ou ser sugada por um buraco negro.

Outro profeta norte-americano foi William Branham, da igreja pentecostal. Depois de dizer que recebeu a visita de sete anjos, em Fevereiro de 1963, indicou que o fim do mundo seria em 1977. Mas não viveu para assistir a esse dia. Morreu em 1965, depois de um acidente de carro.

A lista da 'Time' continua com os anabatistas de Munster (protestantes alemães) do século XVI e segue com uma série de livros sobre profecias do fim do mundo. Lembra ainda o famoso Y2K (segundo o qual todos os computadores seriam destruídos na passagem do milénio) e a seita Branch Davidians, da América dos anos 1990.

Finalmente, a revista recorda todas as falsas profecias das Testemunhas de Jeová, que agora se limitam a dizer que o fim do mundo está para breve sem estabelecer data, e o grande incêndio de Londres de 1666, sendo que "666" é o "número da Besta".


www.dn.pt

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Fanáticos idolatram Pastor Hélio em faixa estampada na cidade

A palavra idolatria herda dos radicais gregos eidolon + latreia, onde eidolon seria melhor traduzido por “corpo“, e latréia significando “adoração” – neste sentido representaria mais uma adoração às aparências corporais do que de imagens simplesmente. A idolatria é usualmente definida como a prática de adoração a ídolos, valores e idéias em oposição à adoração a um Deus monoteísta. A idolatria é considerada um dos maiores pecados nas religiões abraâmicas, de outro modo, em religiões onde esta atividade não é considerada como pecado, o termo idolatria é sem sentido.

FANÁTICA é aquela pessoa que defende com veemência suas convicções como única e verdadeira, sem fundamentação. Que não aceita outra verdade senão a dela mesma e que não respeita as opiniões alheias. Os fanáticos religiosos são como os Fariseus, que defendiam sua “religião” e não aceitavam os fatos que estavam sendo apresentados diante deles.

Segundo o dicionário Aurélio, fanático é aquele que segue cegamente uma doutrina ou partido, o termo não está ligado unicamente a doutrinas políticas ou religiosas, pois tudo aquilo que leva o indivíduo ao exagero é considerado como forma de fanatismo.

Uma pessoa pode ser fanática por amar exageradamente uma pessoa, objeto, time de futebol, etc., o erro mais comum das pessoas é o de designar fanatismo como sendo algo exclusivamente religioso e político. Muitas polêmicas surgem acerca desse tema, tendo em vista que pode gerar situações incômodas. Na maioria das vezes o fanatismo pode fazer com que uma pessoa cometa atos insanos em nome de um ideal, de um amor, ou algo do gênero.

O fanático sofre discriminação por apresentar um exagerado interesse em algo que para muitos é insignificante, ou tem um significado mais comedido. As pessoas devem manter-se alertas, pois o fanatismo não se restringe à classe social, cor ou credulidade, todo mundo está sujeito a esse sentimento, é importante ter consciência de que tudo deve ser moderado, tudo em excesso não faz bem

Dessa forma com fanatismo e com idolatria é que vimos à faixa colocada na avenida principal de Mantena exaltando o homem Apostolo Hélio Correia de Oliveira sendo que o próprio Deus ficou em segundo plano. O Site e Jornal Gazeta do Norte entrevistou um pastor simples, porém de grande conceituado em Mantena e que trabalha bem perto de onde a faixa esta colocada e ele foi bem claro “esta faixa significa simplesmente idolatria que é um ato abominável diante de Deus.

Tudo isso é querendo aparecer, é o homem se sobressaindo à obra de Deus e certamente quem colocou esta faixa não percebe que esta tentando mostrar ao povo uma realidade que não existe. Todos sabem quem é o Pastor e não será com esta faixa ou com qualquer outra manifestação que vão mudar a opinião de 70% do povo sobre as ações do pastor durante toda sua vida em Mantena.

Acho que deveriam deixar Deus agir porque quando o homem quer dar a resposta Deus se afasta, infelizmente estamos vivendo um momento muito triste em nossa cidade em que pastores estão enfrentando cadeias e fórum e com toda certeza Deus cobrará destes pastores suas posturas. O perdão é o principal requisito para que Deus abençoe o homem e a medida que retaliações como estas que estão acontecendo por parte de pastores não contribuem com a imagem do evangelho.

O que adianta o pastor fazer todo este movimento se na essência da questão o povo sabe de tudo que esta acontecendo, isso acaba escandalizando a obra de Deus e ai daquele que for pego escandalizando a obra. Se querem homenageá-lo que faça dentro da igreja e em um culto de glorificação à Deus. Quando o homem se exalta imediatamente o Espírito Santo foge da situação”.

Fonte: http://gazetadonorte.com/

sábado, 7 de maio de 2011

Igrejas não querem ser obrigadas a casar gays

Igrejas não querem ser obrigadas a casar gays
Frentes Parlamentar Evangélica e da Família querem cancelar legalização da união homoafetiva

A Frente Parlamentar Evangélica e a Frente Mista em Defesa da Família querem ações para reverter a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que reconheceu a união estável entre pessoas do mesmo sexo. A bancada evangélica, por sinal, quer incluir um dispositivo para impedir explicitamente que as igrejas sejam obrigadas a celebrar casamento gay.

Para integrantes do movimento de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros (LGBT), a medida visa a tirar o foco da discussão sobre os direitos civis dos homossexuais. Mas o presidente da Frente Evangélica, deputado federal João Campos (PSDB-GO), afirma que a proposta visa evitar constrangimentos para a religião.

A intenção é evitar que seja obrigatório realizar a cerimônia. "Seria bom tornar isso explícito para evitar que algum juiz preconceituoso atendendo a alguma demanda específica possa dar uma sentença impondo uma ação dessa a alguma igreja", explica Campos.

O deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) afirma que a proposta visa desviar o foco da discussão. "Isso é desespero para jogar união pública contra o direito civil. O direito é público, a fé é privada. Nenhum homossexual quer casar em igreja", alega o parlamentar.

Ele defende a aprovação de uma proposta de emenda constitucional para garantir o direito dos homossexuais ao casamento civil, para que não seja necessário os gays recorrerem à Justiça para ter direitos como de pensão, hereditariedade, tributários, entre outros.

A Frente em Defesa da Família vai se reunir na segunda-feira para estudar o que pode ser feito contra a decisão do STF, e qual ação o grupo vai tomar. "O ministro do STF Carlos Ayres Brito (relator das ações relacionadas à união estável entre gays) prestou um desserviço ao país", frisou o deputado federal Magno Malta (PR-ES). O grupo organiza um movimento nacional para 29 de junho, contrário à decisão do STF. (Com informações da AE)

Cartórios já criaram modelo de certidão
Foi criado um modelo de documento para que os cartórios do Estado possam oficializar a união estável entre homossexuais. O material ainda será debatido entre os integrantes do Sindicato dos Notários e Registradores do Espírito Santo (Sinoreg) para se chegar a um modelo padrão.

Atualmente, não há um registro exato, no Estado, do número total de união homoafetiva já feita em cartórios capixabas. É que não há uma especificação no cadastro dos documentos sobre o sexo nem o tipo de acordo que foi feito.

Segundo o presidente do Sinoreg, Jeferson Miranda, poucos cartórios já fizeram alguma união entre gays. "Depois dessa decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) haverá uma procura maior nos cartórios", explica Miranda.

Ele reconhece que alguns tabeliões têm dificuldade para aceitar a união estável entre gays. "Mas, agora, a única forma de não aceitar a fazer o acordo é se o casal em questão não caracterizar uma união estável, mesmo critério judicial usado aos casais heterossexuais", diz Miranda.

+ União Homoafetiva

Forças Armadas vão cumprir liberação de casamento gay
O ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse que as Forças Armadas vão cumprir a decisão do STF, que reconheceu a união gay. Ele afirmou que a decisão do STF é "soberana". "Tenho ainda de examinar o conteúdo da decisão final, mas será cumprida dentro dos limites apresentados por ela", disse. Segundo Jobim, caberá agora ao Congresso Nacional estabelecer as disciplinas legais da decisão, como as "situações patrimoniais, sucessórias, adoções, enfim".

Vaticano teme retaliação contra oposição a gays
O Vaticano se diz preocupado com a situação de fiéis contrários à união entre gays que, por suas posições, estariam sendo "assediados". No caso do Brasil, o Vaticano agiu em Roma e em Brasília para tentar frear a decisão do STF. A Igreja teme não apenas a aprovação de leis favoráveis à união gay, mas a marginalização e a retaliação de grupos que defendam abertamente posições contrárias.


"Agora virou bagunça. O próximo passo vai ser a adoção de crianças (por casais homossexuais)
e a legalização da pedofilia. A criança vai ver a mãe crescer usando cueca e o pai usando calcinha. Depois disso vai ter passeata gay mirim" Jair Bolsonaro, Deputado federal (PP-RJ)




06/05/2011 
A Gazeta
Maurílio Mendonça

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